Um alpinopolense no Ministério da Saúde

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José Rodrigues Freire Filho, o Tezinho, provavelmente é o alpinopolense com maior e mais aprofundado conhecimento em gestão pública na área da saúde que já atuou em nossa cidade. Trabalhou no Departamento de Saúde da Prefeitura de Alpinópolis entre os anos de 2005 e 2013 e, atualmente, ocupa o cargo de consultor técnico no Ministério da Saúde, atuando dentro do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES), setor responsável pela definição e desenvolvimento de políticas relacionadas à formação de pessoal da saúde, tanto no nível superior como no nível técnico-profissional.

Recentemente laureado pela Universidade de São Paulo (USP) com o título de “Mestre em Ciências da Saúde”, Tezinho tem conhecimento técnico de sobra e foi o principal responsável pela reestruturação do aparato de saúde ocorrida no município de Alpinópolis. Na atualidade defende tese de doutorado relativa à área e também encontra-se inserido em trabalhos dentro do Ministério da Educação nas ações de apoio institucional junto à diretoria de educação na saúde.

Em entrevista ao Tribuna Alpina, Tezinho falou sobre sua formação, vida profissional, especializações no exterior, entre outras coisas.

Qual a sua formação, onde e quando se graduou?

A minha formação é em Farmácia, graduei-me na Universidade Federal de Alfenas, no ano de 2004.

Fale sobre sua experiência no serviço público na Prefeitura Municipal de Alpinópolis.

A minha inserção no serviço público municipal ocorreu no ano de 2005, primeiramente no cargo de educador na saúde, devido a minha aptidão pelo ensino, mas atuando junto à farmácia municipal, que apresentava a estrutura ainda muito precária e incipiente com relação às premissas da política de assistência farmacêutica. Era necessário mudar o cenário, uma vez que a falta de medicamentos era recorrente, e os atendimentos se restringiam a uma pequena parcela da população. Não havia organização e sistematização do processo de trabalho. Durante o meu período de atuação na gestão municipal, além de farmacêutico, fui coordenador de PSF e responsável pelo planejamento da saúde, implantando vários programas no município por meio de elaboração de projetos, dentre eles a expansão de equipes de PSF, o credenciamento e coordenação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), a viabilização para estruturação física da rede de saúde (construção do PSF dos bairros Santa Efigênia, Mundo Novo e elaboração do projeto para o PSF – Rosário), a construção da farmácia municipal e adequação aos moldes das normativas públicas, reforma do ambulatório de saúde “José Brasileiro”, ampliação do consultório odontológico da Escola Municipal Horácio Pereira Damásio, apoio para a implantação da Casa de Saúde da Mulher e do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), além de outras ações como aquisição de equipamentos, veículos e materiais para organização dos espaços físicos da saúde, sempre atuando na lógica da captação de recursos das esferas estadual e federal. A linha de atuação foi conduzida a partir do diagnóstico elaborado no ano de 2005, em que se constatou a prioridade para estruturação da rede física de saúde. Além das funções estruturais, ainda atuei para o aprimoramento do processo de trabalho da equipe, a partir da elaboração de projeto de lei para remuneração por desempenho para os profissionais do PSF, que acredito que se encontra vigente, elaboração da Relação Municipal de Medicamentos para a padronização e organização do serviço no município, implantação de protocolos para as unidades básicas de saúde além de outras atividades organizativas junto à gestão.

Fale sobre os aperfeiçoamentos feitos no exterior.

Em julho de 2013 tive a oportunidade de visitar Lima e Cuzco, cidades do Peru, com a finalidade de conhecer o sistema de saúde pública e identificar como ocorre a formação dos profissionais para atuar no setor. Uma experiência muito interessante, pois me permitiu estabelecer o comparativo com o nosso sistema nacional. Já em setembro do mesmo ano passei uma temporada em Madri, na Espanha, por meio do estágio do mestrado, com a finalidade de conhecer um dos mais potentes sistemas de saúde pública do mundo, visitar os centros de saúde, experienciar no cotidiano do trabalho como os profissionais atuam em equipe e resolvem os problemas de saúde. Foi um momento oportuno que subsidiou discussões com rigor científico, sendo os resultados que apresentados ao Ministério da Saúde do Brasil, que ouviu e aproveitou algumas de minhas propostas trazidas da Europa.

Quando e como surgiu a oportunidade de trabalho no Ministério da Saúde?

A oportunidade para atuar no Ministério da Saúde surgiu em fevereiro de 2014, quando publicado um edital de seleção pública, em que me inscrevi e fui aprovado em todas as etapas.

Que cargo exerce dentro do Ministério da Saúde? O que especificamente faz?

Atualmente sou consultor técnico do Ministério da Saúde, no Departamento de Gestão da Educação na Saúde, da Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, em Brasília. O meu campo de atuação está nas áreas da educação e da saúde, e nesse momento estou envolvido com a reformulação da política nacional de educação permanente em saúde, participando de várias reuniões para a elaboração de propostas, discutindo as diretrizes que reorientam a formação em saúde no país, em especial da graduação em medicina. Atuo também na elaboração de projetos pedagógicos de cursos de graduação na área da saúde, na articulação técnica com as instituições parceiras, elaboração de relatórios de avaliação das ações e organização de reuniões para elaboração de propostas de formação em saúde. Em atividade mais recente, estou com uma inserção no Ministério da Educação (MEC) nas ações de apoio institucional junto à diretoria de educação na saúde.

Gostaria de ter seguido exercendo seu trabalho em Alpinópolis?

Constato que houve um rompimento do meu trabalho em Alpinópolis e mesmo com a minha estabilidade profissional na gestão municipal, pois sou concursado, a minha atuação foi interrompida em decorrência das várias especulações de natureza política e, por uma interpretação equivocada, fui colocado à margem do processo. Apesar de desejar dar prosseguimento ao trabalho, isso se tornou insustentável.

Deixou a Prefeitura de Alpinópolis em função da oportunidade no Ministério da Saúde ou por algum outro motivo em especial?

Acreditava que poderia muito contribuir com os avanços que ainda eram necessários para aprimorar o sistema de saúde local, mas as decisões da atual gestão me impulsionaram a buscar novos rumos, o que me levou a não exercer mais o trabalho em Alpinópolis, o qual gostava muito. Hoje apresento uma atuação implicada na ordem da macrogestão, com a qual também me identifico muito. Atuar na esfera federal amplia o olhar para a necessidade dos serviços locais de saúde e é nessa lógica que pretendo atuar.

Pretende voltar algum dia?

Se pretendo voltar? Ainda não sei.

Como avalia o momento da saúde no município de Alpinópolis?

Devido ao meu distanciamento, apresento limitações para fazer inferências mais aprofundadas do atual cenário da saúde de Alpinópolis.  Porém, uma coisa é certa, quando visito a cidade percebo que há marcas dos projetos que deixei em andamento e que foram continuados e muitos já concluídos, como o PSF do Rosário, o consultório odontológico da Escola Horácio Pereira Damásio, a aquisição de equipamentos e veículos, bem como as boas lembranças que ficaram impregnadas na memória de grandes amigos que fiz, tanto no trabalho, quanto na comunidade. Mas quanto ao cotidiano dos serviços não tenho conhecimento. Espero que esteja bem e registro, como sempre, a minha disponibilidade em colaborar com a nossa cidade.




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