A violência em Alpinópolis

A criminalidade aumentou na Ventania nos últimos tempos ou seria mera impressão nossa? Temos observado uma onda de crimes que a cada dia nos surpreende menos e nos faz sentir nas entranhas essa esquisita sensação de estar em lépido caminhar rumo ao caos. Estatísticas nos jogam na cara que já não vivemos em uma cidade tranquila.

Segundo dados disponibilizados pela Polícia Militar, somente neste primeiro quadrimestre de 2013 nosso município foi palco de 24 crimes considerados violentos, o que nos dá a escandalosa média de um delito dessa natureza ocorrido a cada cinco dias. Esses números colocam Alpinópolis em um patamar de criminalidade muito superior ao de municípios do mesmo porte de nossa região. Dado importantíssimo que não pode ser omitido é que, em absolutamente todos esses crimes, houve envolvimento de menores, quase sempre portando armas de fogo.

A situação é alarmante e, pelo andar da carruagem, tende a agravar-se ainda mais. De acordo com a PMMG, Alpinópolis presenciou um aumento vertiginoso no índice de criminalidade nos últimos meses e esse rastilho de pólvora não dá sinais de que se extinguirá. Essa afirmação pode ser testificada com algumas estatísticas que mostram, por exemplo, que no primeiro semestre de 2011 não houve registro de nenhum roubo a mão armada nos limites do município. No mesmo período de 2012 foram assinaladas três ocorrências do mesmo crime e, apenas nos quatro meses iniciais do ano de 2013, os delitos dessa natureza já alcançam a surpreendente marca de 23 casos. O crescimento é assombroso e pede providências urgentes.

Diante desse cenário, seria correto afirmar que uma geração de bandidos está despontando em Alpinópolis? Talvez seja essa uma afirmativa um pouco exagerada, mas pode ela servir como um sinal de alerta que nos leve a reconsiderar os caminhos e opções que estamos oferecendo aos jovens e crianças de nossa cidade. Não diferente de qualquer pequena localidade interiorana, sabe-se que Ventania carece de alternativas saudáveis de lazer que incluam espetáculos esportivos e atividades culturais para fazer frente aos bares, festas e shows esporádicos, ambientes geralmente regados a álcool e drogas, que são praticamente as únicas opções de recreação disponíveis por aqui. Fato é que essa modalidade de lazer, há muito, vem tirando o sono das famílias alpinopolenses.

Em face dessa preocupante conjuntura, haveria algum caminho para uma possível redução (porque não dizer supressão) dessa onda de criminalidade que perturba essa cidade que foi segura e tranquila em tempos idos? Se esse caminho de fato existe, podemos afiançar que seguramente deve ser pavimentado por investimentos, públicos e privados, em cultura e esporte. Porém, parece que o poder público alpinopolense mantém, desde a canetada dada em 1938 pelo governador Benedito Valadares, a desanimadora tradição de destinar escassos recursos orçamentários para a manutenção dessa espécie de atividades. Além de sermos obrigados a engolir os miseráveis percentuais direcionados a esse fim pela Lei Orçamentária Anual, ainda fomos surpreendidos, já no início deste ano, com um infeliz corte de projetos culturais e sociais mantidos pela prefeitura, sob alegação de economia. É onde vemos se concretizar o ditado popular que afirma que “o barato sai caro”. O maior prejuízo não é o financeiro e sim o social.

Em contrapartida aos cortes, vimos emanar da mesma fonte declarações de que havia premente necessidade de efetivar ações reparadoras como solicitação de aumento de efetivo policial, reforma de cadeia, ampliação do Poder Judiciário na Comarca, entre outros procedimentos que, a nosso ver, não tratam em absoluto a raiz do problema da violência, mas servem tão somente para “apagar incêndios”. Parece que nossa classe política ainda não compreendeu que o que salva, de fato, não é extinguir o fogo e sim evitar que ele comece. Depois que as chamas ardem, apagá-las somente nos deixará seu legado de cinzas.

Policiamento e punição remediam mas não resolvem, pois deixam a causa do problema descoberta. É necessário identificar o que tem promovido essa debandada de jovens para os caminhos do crime que, naturalmente, tem gerado a avalanche de violência presenciada nestes últimos tempos. Seria muito injusto designar apenas ao poder público toda a carga de culpa por essa problemática. A responsabilidade também é nossa, da comunidade alpinopolense, que tem a obrigação de contribuir para o estancamento dessa criminalidade hemorrágica que, efetivamente, está saindo de nosso controle. Podemos e devemos exigir atitude do poder público, mas não temos o direito de nos reservar a proferir críticas e esperar que tudo seja resolvido apenas pelos governantes.

Encerramos dizendo que o argumento aqui montado não busca apontar “culpados exclusivos” para o problema da violência em Alpinópolis. A grande questão é abrir os olhos para o que tem ocorrido e buscar soluções sustentáveis, cada um em sua alçada. Faça sua parte, mobilize seu bairro, sua escola, sua igreja, sua associação ou seu partido político. Coloque em prática uma ação válida e mostre para a Ventania que você faz a diferença.

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