Trabalhos de reparo da Cemig avançam, mas apagão ainda causa transtornos em Alpinópolis

A cidade de Alpinópolis enfrenta, desde a tarde de segunda-feira (1º), um dos mais longos episódios de instabilidade energética de sua história. A tempestade que atingiu a região — com ventos intensos e descargas atmosféricas — derrubou torres da Linha de Distribuição Alpinópolis/Passos, interrompendo o fornecimento não apenas para o município, mas também para Carmo do Rio Claro, Conceição da Aparecida e São José da Barra.

O apagão teve início por volta das 18h30 de segunda-feira. De acordo com a Cemig, duas torres metálicas sofreram colapso total e uma terceira foi danificada. A companhia afirma que as equipes iniciaram imediatamente os trabalhos de localização do defeito e reorganização da rede. Por volta das 21h, o fornecimento foi normalizado para Conceição da Aparecida, São José da Barra e para grande parte de Carmo do Rio Claro. Ao longo da madrugada, o restante de Carmo do Rio Claro também teve o abastecimento restabelecido.

Em Alpinópolis, porém, a situação foi mais crítica. O município ficou praticamente no escuro por mais de 48 horas, com o fornecimento sendo garantido apenas por 11 geradores emergenciais distribuídos em pontos estratégicos. Segundo a Cemig, no momento, 100% dos clientes estão conectados por geração provisória, enquanto as equipes trabalham para concluir os reparos e recolocar as torres em operação ainda nesta quarta-feira (3).

As equipes enfrentam, de acordo com a estatal, condições adversas para reconstruir as estruturas, instaladas em áreas de difícil acesso e que exigem uso de guindastes, reforços metálicos, transporte de peças pesadas e realização de testes de carga. A chuva constante também vem dificultando o avanço dos trabalhos.

A Prefeitura Municipal decretou situação de emergência e, segundo informações postadas nas redes sociais, acompanha as frentes de trabalho, auxiliando no abastecimento e logística dos geradores e prestando apoio básico a comerciantes, produtores e serviços afetados.

O setor de leite e parte do comércio local registraram perdas por falta de refrigeração e interrupção das atividades. Mesmo com a geração emergencial, moradores ainda relatam oscilações e quedas repentinas devido à limitação desse tipo de fornecimento.

Com o prolongamento da situação, parte da população, principalmente por meio das redes sociais, passou a criticar a infraestrutura elétrica da região e a atuação do poder público, apontando fragilidades já conhecidas e alegando que a tempestade apenas expôs problemas acumulados. Também há relatos de prejuízos significativos para pequenos comerciantes e produtores, que dependem de energia contínua. Por outro lado, moradores reconhecem o esforço das equipes da Cemig e da prefeitura, que permanecem mobilizadas desde o início do incidente, em regime contínuo.

Em nota, a Cemig informou que, no momento, todos os bairros urbanos de Alpinópolis estão energizados de forma emergencial, mas a normalização definitiva depende da recomposição total da linha. Também afirmou que dezenas de profissionais — entre técnicos e engenheiros — atuam ininterruptamente na substituição das torres e no restabelecimento completo do sistema, além de explicar que, durante o período chuvoso, o risco de queda de árvores, galhos e objetos sobre a rede aumenta significativamente, tornando o trabalho de recuperação mais complexo, especialmente em áreas rurais.

A companhia destacou, por fim, que executa o maior programa de investimentos de sua história, com R$ 59 bilhões previstos entre 2019 e 2029, incluindo ações de manutenção, podas, limpeza de faixas, substituição de estruturas e inspeções com tecnologias como drones e câmeras termográficas, reafirmando seu compromisso com a melhoria contínua do sistema elétrico no estado.

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