
Torcedores alvinegros da Ventania seguem em festa. Apenas isso seria suficiente para descrever o que sente a Massa alpinopolense em virtude da conquista do título da Copa Libertadores? Não. É algo mais. Não apenas os alpinopolenses, mas todos os torcedores do Galo espalhados pelo Brasil estão em êxtase. Não sou atleticano, meu time de coração é o Palmeiras, mas para um amante do futebol, como sou, seria impossível não falar desse Galo que emocionou o país durante a edição 2013 desse cobiçado campeonato. Primeiramente quero fugir do clichê tão propalado por algumas emissoras de rádio e TV que repetiram cansativamente que “O Galo foi o Brasil na Libertadores”. Nada! O Galo foi o Galo na Libertadores e pronto. E o torcedor? O que falar da Massa? Os choros, as orações, os infartos, as promessas… Aquilo não foi coisa de simpatizante, foi de uma torcida realmente apaixonada. Foi Galo.

Certo é que na Ventania o Atlético não é o time com maior torcida, essa prerrogativa pertence ao grande rival azul-celeste, mas com certeza conta com os mais malucos, mais chatos e mais fanáticos torcedores. Conheço muitos deles. São pessoas que esperaram por mais de 40 anos um título como esse. Pessoas que choraram o rebaixamento em 2005 e mesmo assim vestiram a camisa 13 e orgulhosamente cantaram o hino do clube. São apaixonados atleticanos que finalmente viram seu momento chegar. O título veio de forma inquestionável para declarar: O Galo é o dono da América.
O TIME
Nunca o atleticano viu um time tão recheado de craques e a taça da Libertadores comprova que o Galo tem o melhor elenco do país. Porém, para ser campeão é preciso mais que jogadores, é imprescindível que haja planejamento e organização. Alexandre Kalil soube como comandar um clube de futebol. O craque Ronaldinho, que muitos tacharam de ex-craque, chegou quietinho, como se mineiro fosse, e aos poucos foi recuperando seu futebol e o espaço que, por direito, pertence a quem em duas oportunidades foi aclamado como melhor do mundo. Dentro de campo, foi o maestro que regeu a equipe alvinegra. Victor, milagreiro e já comparado na mitologia atleticana a João Leite, o “goleiro de Deus”. Jô, que estava em situação pior que a do Ronaldinho no descrédito, foi o artilheiro da competição e está na Seleção Brasileira. O clube gastou mais para trazer o Tardelli do que ganhou quando o vendeu em 2011. Bernard, o “bambino de ouro”, que Felipão diz jogar com alegria nas pernas. O Guilherme, reserva que a torcida não curtia por ter feito fama no rival Cruzeiro, fez o gol da salvação do Atlético. Réver e Léo Silva, as “torres gêmeas”, zagueiros artilheiros que deram tranqüilidade ao grupo. Marcos Rocha, Richarlyson e Junior César atuando de forma eficiente na linha de defesa sem deixar de compor a característica ofensiva do time. Pierre, Leandro Donizete e Josué que trouxeram segurança e raça ao meio de campo atleticano. Isso sem contar com o maluquinho Luan, o experiente Gilberto Silva, Rosinei e demais membros desse respeitável elenco.

O TÉCNICO

Com fama de treinador azarado, porém competente, Cuca conquistou pela primeira vez esse título que é, sem dúvida, o mais importante da sua carreira. Esse profissional cuidadoso e estudioso foi quem tirou o Galo da zona do rebaixamento em 2011 e o levou ao topo da América. Cuca conseguiu transformar atletas chamados de “baladeiros”, “renegados” e “desacreditados” em uma equipe forte e competitiva. O resultado disso foi coroado com o maior título do continente. Foi a prova de que a superação existe e é característica de pessoas de fé. Cuca é, com toda a certeza do mundo, um homem de fé.
O PRESIDENTE

Ele é o melhor cartola do futebol brasileiro, isso é fato. O principal responsável pelo título do Atlético foi, sem dúvidas, o presidente Alexandre Kalil. Esse homem mostrou que é preciso planejamento e organização para montar um time de ponta como é o Galo de 2013. Uns dizem que ele é louco, outros dizem que é sem educação e mal-humorado, mas em uma coisa todos são obrigados a concordar, o turco é competente. O presidente assumiu o clube quase em estado de falência e conseguiu reerguer-lo. Colocou o Galo na elite do futebol mundial. Se for campeão em Marrocos diante do poderoso Bayern de Munique de Pep Guardiola, Kalil encerrará seu mandato com o nome elevado ao ponto máximo que um dirigente pode alcançar.
A MASSA
A Massa, como se autodenomina a singular torcida atleticana, ao som do “Eu Acredito”, deu um verdadeiro show nas arquibancadas. O torcedor acreditou, apoiou, xingou, reclamou, mas no final comemorou muito. A torcida do Galo é umas das mais fanáticas e apaixonadas do mundo. O elo entre o torcedor e o clube é algo que foge do comum. Não há limites que separa o amor de um e de outro. A Massa merecia essa taça. Foram 40 anos de espera por um título de tamanha expressão. O atleticano foi obrigado a ver dividido o espaço na mídia, tradicionalmente bairrista e esportivamente apoiadora do eixo Rio-São Paulo, com a vinda do papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude. O atleticano alpinopolense então, nem se fala. Além do papa, ainda teve que repartir as atenções com a festa mais famosa da cidade, a EXPOAL, que fez com que muitos torcedores assistissem a grande final em aparelhos de TV espalhados pelo parque. Curioso foi o fato ocorrido no local naquela emocionante quarta-feira dia 24 de julho. Contam que o show da noite, realizado pela dupla sertaneja João Carreiro e Capataz, teve que esperar o final do jogo para ser iniciado, pois na primeira chamada dos artistas a platéia permaneceu praticamente vazia. Isso foi mais uma prova da paixão do brasileiro pelo esporte das multidões.

Lucas Bachião
Estudante de Jornalismo da PUC-Campinas

