Quirino dos Reis, o 6º filho de Dona Indá

Quirino José dos Reis nasceu em 25 de janeiro de 1807, no bairro Bocaina, em Jacuí/MG, e foi batizado em 9 de fevereiro do mesmo ano. Ele era o 6º filho do Alferes José Justiniano dos Reis e de Ana Teodora de Figueiredo (Dona Indá), fundadores de Alpinópolis.

Quirino casou-se pela primeira vez em 1836 com Cândida Teobalda de Paula, filha de João Batista Ribeiro e Francisca de Paula e Silva. Dessa união, nasceram os filhos: José Quirino dos Reis, Ana Quirina dos Reis, Francisco Quirino dos Reis, Joaquim Quirino dos Reis (que faleceu ainda criança), Maria das Dores dos Reis, Joaquim Quirino dos Reis e João Cândido dos Reis. Após a morte de Cândida, Quirino se casou novamente, em 20 de outubro de 1856, com sua cunhada Ana Cesarina de Paula. Esse casamento precisou de dispensa matrimonial devido ao primeiro grau de afinidade.

Descendente dos fundadores do arraial, Quirino era um grande latifundiário, possuindo vastas propriedades rurais em Alpinópolis e São José da Barra. Sua fortuna foi registrada no inventário de seu pai, em 1810, e no inventário de sua mãe, concluído em 26 de maio de 1862, que incluía a divisão de bens como partes das Fazendas da Laje e Ventania, além de casas, matas, capoeiras, moinhos e uma considerável quantia em dinheiro.

Quirino José dos Reis faleceu em 6 de agosto de 1883 e foi sepultado no dia seguinte em Alpinópolis, com as exéquias celebradas pelo Vigário João Pedro Ferreira Lopes. Seu inventário e testamento foram abertos em 10 de setembro de 1883 em Passos/MG.

Devoto de Nossa Senhora do Rosário, Quirino participou ativamente da Irmandade, deixando em testamento uma quantia para a manutenção da Capela do Rosário e para obras de caridade. Seu testamento revela uma pessoa honesta e preocupada em saldar suas dívidas com amigos e parentes, determinando o pagamento de seus credores.

Na rua que leva seu nome, existe um casarão (foto) construído em 1893 por seu filho, o Sargento Francisco Quirino dos Reis, localizado na esquina com a Rua Capitão Isaac. Segundo a historiadora Irene Gonçalves Brasileiro Freire, o casarão tem ligação com outro, construído em 1886 pela prima de Francisco, Dona Mariana. Quando Francisco tentou comprar o casarão de sua prima, ela recusou a oferta, levando-o a construir uma residência ainda mais bonita. O casarão de Francisco foi herdado pelo Tenente Coronel Francisco Gonçalves de Faria e, após sua morte, passou para Albertino Gonçalves dos Reis, cuja família ainda possui o imóvel, restaurado recentemente, preservando sua fachada original.

A Rua Quirino dos Reis, um dos logradouros mais longos da cidade, surgiu durante a gestão do prefeito interventor José Surette (1933-1934), quando Alpinópolis ainda era distrito de Nova Resende. As placas com os nomes das ruas foram confeccionadas e afixadas conforme o Decreto Municipal nº 53, de 22 de junho de 1933. A rua foi inicialmente conhecida como Rua Nova, por representar uma nova entrada para a cidade.

Após a emancipação política, a rua manteve o nome em homenagem a Quirino dos Reis, conforme regulamentação do prefeito Eloy de Faria Filho (Loíto) em 1970. Durante a administração do prefeito Cassiano José Lemos (1989-1992), a rua recebeu pavimentação e a construção de uma ponte de concreto sobre o Córrego Biquinha, ligando o bairro São Benedito ao centro.

 

Referências Bibliográficas:

LOPES, José Iglair. História de Alpinópolis: nos séculos XVIII, XIX e XX, até 1983/José Iglair Lopes; colaborador: Dimas Ferreira Lopes. – Belo Horizonte: O Lutador, 2002.

SOUZA, Juliano Pereira de. Caminhando pela História: um passeio pelas ruas / Juliano Pereira de Souza. – Juiz de Fora, MG: Editora Garcia, 2021.

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