Protesto de estudantes marca comício de Cássio Soares em Alpinópolis

Cássio Soares cercado pelos manifestantes durante o comício.
Cássio Soares cercado pelos manifestantes durante o comício.

A maratona de comícios de candidatos buscando os votos do povo alpinopolense teve um início, no mínimo, incomum nesta  campanha eleitoral de 2014. O primeiro a ser realizado na cidade foi o do deputado estadual Cássio Soares (PSD) e ficou marcado por um protesto realizado por estudantes dos cursos técnicos de Furnas. Ao som dos muitos foguetes  que pipocaram durante este barulhento comício, os manifestantes exibiram faixas e cartazes, estampados  com palavras de protesto, contra a decisão anunciada recentemente pelo Governo de Minas de não promover a abertura de novas turmas para os cursos regulares de administração e eletrotécnica da Escola Estadual de Furnas. O protesto ocorreu durante o comício deste candidato, pois, segundo informações prestadas pelos próprios manifestantes, o deputado havia se comprometido a auxiliar na resolução do problema junto à Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) e, no final das contas, mostrou-se omisso.

Cássio Soares, apoiado em Alpinópolis pelo grupo político do prefeito Julio Cesar Bueno da Silva, o Julio Batatinha (PTB), compõe a base de sustentação do governador Alberto Pinto Coelho (PP) na Assembléia Legislativa e tem bom trânsito junto à alta cúpula do governo mineiro havendo, inclusive, deixado o cargo de deputado estadual, para o qual foi eleito, para ocupar a posição de secretário de estado da SEDESE durante o mandato de Antônio Anastasia.

 O PROTESTO

Cerca de 70 pessoas entre professores, pais de alunos, membros da Associação de Pais e Mestres da Escola de Furnas e alunos das cidades de Alpinópolis, São José da Barra, Capitólio, Piumhi, São João Batista do Glória, Carmo do Rio Claro e Passos compareceram ao comício do deputado Cássio Soares, realizado mês passado na Avenida Governador Valadares no centro de Alpinópolis, para protestar e reivindicar apoio do parlamentar no polêmico caso da não abertura de novas turmas para os cursos regulares de administração e eletrotécnica disponibilizados pela Escola Estadual de Furnas. Os participantes ostentavam faixas e cartazes e gritavam palavras de ordem. Segundo relato dos manifestantes, Cássio foi até o foco do protesto e houve interlocução com os estudantes, inclusive com trocas de farpas, onde alguns mais exaltados tachavam o deputado de “mentiroso”, “inimigo da educação” e “caroneiro”.

Faixa exibida durante o protesto dos alunos.
Faixa exibida durante o protesto dos alunos.

De acordo com um dos líderes da manifestação, o estudante Cléber Pereira de Assis, conhecido como Binho, alguns alunos e professores, juntamente com a Associação dos Pais e Mestres da Escola Estadual de Furnas, resolveram agir logo que foram informados sobre a suspensão das novas turmas dos cursos técnicos e uma das primeiras providências foi buscar o apoio dos políticos da região. Por ser Cássio Soares o mais próximo e com certa influência junto ao governo estadual, além de haver manifestado pelas redes sociais apoio a esta causa e já ter auxiliado a escola em outras oportunidades, os integrantes procuraram estabelecer contato com o deputado, porém sem sucesso. Na tentativa de marcar uma reunião a assessoria do parlamentar se limitava a informar que Cássio estava em campanha e que não havia possibilidade de realização do encontro, o que revoltou o grupo. “Quando ficamos sabendo do problema, nos reunimos com a Associação de Pais e Mestres e fomos atrás de apoio político. O deputado Cássio Soares foi o primeiro a se comprometer em nos ajudar e quando realmente precisamos não conseguíamos contato com ele de forma alguma, nem via telefone, nem via e-mail, nem pelas redes sociais. Além de ter se prontificado a auxiliar, também o procuramos por ser representante do povo da região e com influência na Secretaria de Educação, já que foi até secretário do Anastasia e sempre se exibe na imprensa e redes sociais como homem próximo do governo, anunciando liberação disso e daquilo. Só que nos decepcionamos e, infelizmente, para nós foi confirmada aquela impressão de que ele não se importa com a educação, deixada quando ele votou contra os professores em novembro de 2011 na Assembléia Legislativa. Foi aí que resolvemos nos reunir e protestar, pois no comício ele não poderia se esquivar e falaria com o grupo”, disparou Binho.

Para o coordenador do curso de eletrotécnica da Escola Estadual de Furnas José Roberto de Paiva Pádua, existe uma união de forças para manter o curso regular em atividade e toda a ajuda é bem vinda. José Roberto, que também é professor, relata que Cássio Soares foi muito importante na solução de conflitos similares pelos quais a escola passou em outras oportunidades, mas que dessa vez o deputado se mostrou omisso. “Em 2012 aconteceu algo parecido e foi o Cássio Soares que nos estendeu a mão e intermediou uma reunião na SEE para sanar o problema, por isso o procuramos para nos auxiliar novamente. Mas desta vez ele se mostrou alheio e não atendia nossos telefonemas e nem respondia nossos e-mails, o que causou indignação, pois ele havia se prontificado a nos dar suporte. No meio de toda essa problemática houve uma série de informações desencontradas, sendo que a SEE em Belo Horizonte dizia uma coisa e a SRE de Passos dizia outra. A primeira acusava a direção da escola de cometer falha no envio de documentação e não haver executado a pactuação em tempo hábil e a segunda dizendo que a documentação estava correta. Nós ficamos no meio desse fogo cruzado e procuramos toda a ajuda possível. Estranho foi que depois que houve o protesto e o assunto tomou maiores dimensões na mídia e nas redes sociais, o deputado passou a nos procurar até com certa insistência. Para nós não importa de onde venha a ajuda, não estamos fazendo política com a situação, apenas queremos solucionar o problema e seremos justos em dizer a verdade sobre o que cada um fez pela causa”, disse o coordenador.

A ASSOCIAÇÃO DE PAIS E MESTRES

A Associação de Pais e Mestres da Escola Estadual de Furnas é uma entidade criada em abril de 2013 para auxiliar a escola em diversas vertentes, inclusive na solução de problemas como essa interrupção dos cursos regulares ocorrida recentemente. Para Delma Aparecida Lopes Balduíno, membro da associação e mãe de aluno, existe uma confusão muito grande na localização do problema, onde os próprios órgãos governamentais se contradizem e a solução parece ficar cada vez mais longe. “O problema é que cada um diz uma coisa e o problema vai permanecendo. Nós da associação estamos, de fato, muito preocupados com a situação e entramos na batalha pela escola. Como já dito, buscamos a ajuda de qualquer pessoa que pudesse oferecer. O deputado Cássio Soares se dispôs a nos ajudar e é apenas isso que estamos cobrando dele, pois quando o grupo foi procurá-lo ele parecia não querer nos receber. Apoiamos o protesto feito durante o comício não para fazer qualquer tipo de jogo político, e sim para exigir o empenho que ele tinha prometido. Nossa única preocupação é que os cursos regulares sejam reativados e funcionem como antes”, explicou.

O DEPUTADO

O deputado Cássio Soares declarou que é solidário à causa e reconhece a legitimidade do protesto, mas alerta que houve presença de correligionários de outros candidatos com finalidades unicamente eleitoreiras. Também afirma que sempre defendeu a Escola Estadual de Furnas e que a mesma nunca correu o risco de ser fechada. “Reconheço e me uno aos apelos que recebi de alunos, pais, vereadores, prefeito e cidadãos que querem o bem da nossa região. Porém, na data em questão, havia sim alunos, mas também assessores contratados por outro candidato a deputado estadual utilizando o assunto para fins eleitoreiros. É essa atitude que traz informações distorcidas e atitudes mais agressivas, tirando a legitimidade da manifestação pacífica dos alunos. Desde o primeiro mês de meu mandato tenho defendido a Escola de Furnas junto ao Governo de Minas, levando membros da diretoria para reuniões com a secretária Ana Lúcia Gazzola. Sempre a defendi e continuarei defendendo. Neste último caso, mantive contato com a diretora da escola, com alunos, superintendência de ensino e com a secretária Ana Lúcia que me afirmou que a Escola Técnica de Furnas jamais correu o risco de ser fechada e que os cursos que não foram inscritos neste semestre voltarão, certamente, no início do próximo semestre e a seleção dos alunos deverá ocorrer ainda neste ano”, disse o parlamentar.

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