A prosa cantada e o canto proseado de Lucas Ventania

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O cantor e compositor Lucas Lander Lopes Freire, o Lucas Ventania, é atualmente um dos grandes expoentes da música regional de Minas Gerais. Para quem não sabe, esse talentoso cantador alpinopolense também é artista plástico, desenhista, piloto de avião e exímio cozinheiro. Não podendo deixar de citar sua formação acadêmica em Educação Física.

Mesmo com tantas aptidões distribuídas por diferentes áreas de conhecimento, o artista da Ventania gosta mesmo é de cantar. A música faz parte de sua vida desde muito tempo, mas a decisão de se dedicar exclusivamente a ela foi tomada na frieza do Velho Mundo, quando vivia na Alemanha.

Lucas Ventania saiu da terra natal muito cedo, indo estudar em Belo Horizonte com apenas 15 anos de idade. Aos 21 formou-se em Educação Física na cidade de Batatais-SP e logo partiu para a capital paulista, onde exerceu a profissão por sete anos. Depois se entusiasmou com as maravilhas da aviação e foi aprender a voar, isso na cidade de Bragança Paulista. Com o brevê nas mãos sentiu que precisava alçar vôos mais altos e, motivado pelo trabalho na aviação, decidiu aprender inglês para conseguir espaço em alguma companhia aérea renomada. Imaginando que o modo mais fácil de conhecer o idioma seria vivendo em um país estrangeiro, em 1992 partiu de mala e cuia para a Inglaterra. Depois de residir em Londres por dois anos, resolveu correr outros países, e assim iniciou seu tour pela Europa,  sempre trabalhando em vários ofícios para garantir seu sustento. Nessas idas e vindas, percebeu seu  talento para a música e começou a dedilhar os primeiros acordes.

Lucas Ventania participando do programa Senhor Brasil, apresentado por Rolando Boldrin.
Lucas Ventania participando do programa televisivo
Senhor Brasil, apresentado por Rolando Boldrin.

Vivendo na Alemanha, em um minúsculo trailer, principiou seu aprendizado de violão, por meio destes livretos de músicas cifradas encontrados em banca de jornal, e a primeira música que tocou foi “Preta Pretinha”, de Moraes Moreira. Depois, aos poucos, foi aprimorando as técnicas musicais e passou a compor. Sua primeira canção composta, que não foi gravada até hoje, chama-se “Casa Velha”.

Em 1995 volta ao Brasil e passa a dedicar-se exclusivamente à música. Para acompanhar o violão, resolveu dominar outro instrumento, a gaita, que também aprendeu a tocar sozinho, ouvindo as canções de Bob Dylan.

Com conhecimentos musicais mais apurados, devotou-se a seguir a linha da música raiz e regional, pesquisando uma variedade de artistas brasileiros, sendo inspirado, entre outros, por Almir Sater e Renato Teixeira. Gravou o primeiro CD em 2000, chamado “Nóis é Jeca mais é Jóia”, depois outro em 2003 “Pedaço de Chão” (em homenagem a Alpinópolis) e 2006 “Raízes”. Já está em curso o planejamento para a gravação do 4º disco, com produção de Sérgio Turcão (ex-Tarancón).10390977_670274206375167_1253607967373698794_n

Em 2015 iniciou o projeto “A Viola e o Queijo” com o objetivo de valorizar o repertório da música raiz e reafirmar a riqueza da gastronomia mineira, representada por essa iguaria que acabou se tornando um símbolo de Minas Gerais. Com uma série de shows realizados em diversos lugares, juntamente com sua banda e sob a direção de Turcão, Lucas Ventania mescla essas duas culturas tipicamente mineiras, a viola e o queijo. Nesse projeto o artista alpinopolense eleva, a seu devido patamar, a mineirice que existe em toda roda de viola e em uma boa prosa bem proseada.

Lucas Ventania é um caboclo simples, tem o hábito de usar chapéu e calçar botina, mas confessa que gosta mesmo é de andar descalço. Fala com orgulho da filhinha Helena, para quem compôs a música “Menino Passarinho”, e sempre canta a sua amada Ventania, por onde quer que vá. Crítico assumido da cultura de massa, o cantor diz que a grande mídia valoriza pouco músicas de seu estilo e propaga peças de qualidade duvidosa. Bão tamém!

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