Prefeito Horácio Pereira Damásio

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Conhecer nossa história é fundamental para que possamos compreender o presente e planejar o futuro. A política sempre permeou de forma intensa o desenrolar do cenário histórico alpinopolense e essa efervescência das disputas eleitorais, que vemos ainda hoje na cidade, existe desde 1949, ano em que ocorreu seu primeiro pleito acirrado. É quando ganha consistência o nome de Horácio Pereira Damásio como uma das figuras centrais da que ficou conhecida como política “Pimenta x Jiló”.

Nos primeiros 15 anos de emancipação político-administrativa, período de transição entre a ditadura e o regime democrático no Brasil, a jovem cidade de Alpinópolis contou com nada menos que 10 prefeitos em seu comando, entre eles Horácio Pereira Damásio, que ocupou a cadeira de chefe do executivo por quatro vezes, sendo nomeado por duas vezes e eleito por outras duas. A primeira vez que assumiu a prefeitura foi no ano de 1948, oportunidade em que era vice de Luiz Introcaso Filho, que renunciou ao cargo. Com sua ascensão ressurgiram mágoas e questões políticas anteriores, causando uma verdadeira reviravolta na organização partidária alpinopolense. Foi o que deu início à chamada política “Pimenta x Jiló”, ou seja, a formação de dois grandes blocos fortes na cidade. A configuração política estabelecida por esta divisão ecoa pelo tempo e, apesar de apresentar algumas variações, permanece sólida nos dias atuais.

No entanto, até se afastar da política em 1952, quando foi viver em Ribeirão Preto, este fazendeiro e escrivão da Coletoria Estadual deixou sua marca na história de Alpinópolis e hoje dá nome a uma das principais instituições de ensino da cidade, a Escola Municipal Horácio Pereira Damásio.

Ele nasceu em Alpinópolis em 11 de dezembro de 1898, sendo descendente de tradicionais famílias, era filho de Oscar Adolpho Pereira e Albertina Querina dos Reis. Em 1919 casou-se com Olívia de Carvalho Morais, natural de Boa Esperança, com quem gerou prole numerosa de dez filhos: Oscar, Maria, Aparecida, Luzia, João, Samuel, Nair, Nadir, Inês e Gil.

Sua vocação política se revelou desde cedo, ligada aos quadros estaduais da UDN, cuja expressão maior em Minas Gerais, na época, era Milton Campos, político com o qual manteve estreita amizade, o que resultaria na sua nomeação para administrar a cidade durante a delicada transição de poder no ano de 1947. Antes, porém, assumiu o Executivo e dirigiu Alpinópolis no período compreendido entre 31 de maio 1946 até 10 de janeiro de 1947, época da Ditadura Vargas, sendo nomeado pelo interventor estadual João Tavares Corrêa Beraldo. Com a volta do regime democrático, Milton Campos elegeu-se para o governo de Minas Gerais, na eleição direta de 19 de janeiro de 1947. Amigo e aliado de Horácio Pereira Damásio, o governador mineiro o nomeou para administrar o município até as eleições municipais diretas.

Em 23 de novembro de 1947 foram realizadas as eleições municipais diretas, com eleição, por acordo, da chapa única, encabeçada por Dr. Luiz Introcaso Filho (PTB), sendo vice-prefeito Horácio Pereira Damásio. Aos 18 de março de 1948 assume a chefia do Executivo Municipal, por quase cinco meses, quando se afasta para, taticamente, voltar ao poder em 1949, numa chapa exclusiva da UDN.

Para as eleições de 3 de abril de 1949 lançam-se como candidatos a prefeito e vice, pela UDN, dois grandes amigos: José Bernardino de Paula e Horácio Pereira Damásio. Osvaldo Américo dos Reis, então presidente da Câmara e outro grande nome da política local, assumiu a prefeitura e, percebendo a manobra política da UDN, articulou o lançamento de Lázaro Brasileiro e Jorge Gonçalves Salum, ambos de seu partido, o PSD, para este que seria o primeiro pleito acirrado em Alpinópolis. A campanha foi desencadeada com o nome simbólico de “Pimenta x Jiló” e a eleição foi dura, sendo disputada voto a voto. Deste pleito saiu vitorioso o lado do “Jiló”, ou seja, a UDN. Fato curioso é que, 32 dias após a posse, o prefeito eleito José Bernardino de Paula, por vontade própria e alegando problemas de saúde, se afasta e assume o cargo o vice Horácio Pereira Damásio, cumprindo o mandato até o seu final, em 31 de janeiro de 1951.

Horácio Pereira Damásio era homem alegre, comunicativo, presente nos acontecimentos sociais e excelente marcador de quadrilha, como recordam muitos de seus amigos fiéis. Progressista e sensível aos desafios do futuro, dedicou apoio incondicional a uma cooperativa que objetivava fundar uma fábrica de louças na cidade, a Companhia Progresso Industrial de Alpinópolis (COPIAL). Este magnífico projeto, desenvolvido por Antônio Herculano dos Reis, Dr. José de Carvalho Faria e José Gonçalves de Faria, foi recebido com entusiasmo pelo prefeito, em 1946, que imediatamente liberou um terreno para as instalações. Depois de tudo pronto a COPIAL estava organizada e preparada para entrar em produção no segundo semestre de 1948, quando uma politicagem inconsequente e negativa atingiu sua diretoria e levou a cooperativa à dissolução. Este fato lamentável levou muitas famílias à frustração pela perda dos empregos e causou um desastre financeiro na economia do município, cujos efeitos até hoje são sentidos.

Em 1952, pouco tempo depois do final de seu último mandato, Horácio Pereira Damásio mudou-se com os familiares para Ribeirão Preto. Acometido de embolia pulmonar, com apenas 66 anos de idade, morreu naquela paulista em 31 de outubro de 1964. Está sepultado no Cemitério da Saudade, em jazigo da família, no qual também descasam os restos mortais da honrada esposa.

 

Referência Bibliográfica: LOPES, José Iglair. História de Alpinópolis: nos séculos XVIII, XIX e XX, até 1983/José Iglair Lopes; colaborador: Dimas Ferreira Lopes. – Belo Horizonte: O Lutador, 2002.

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