Padre Aílton fala sobre a renúncia de Bento XVI e a sucessão papal

Diante da notícia que abalou o planeta na manhã do dia 11 de fevereiro deste ano, quando o Vaticano confirmou as especulações sobre os boatos de uma possível renúncia papal, autoridades católicas do mundo todo alegaram grande surpresa.  O Papa Bento XVI iria renunciar no dia 28 de fevereiro e com isso abriram-se especulações de toda ordem relativas ao fato. O que haveria levado o dirigente máximo da Igreja Católica a tomar tal decisão? Existiram pressões políticas? Quem será o novo Papa? Mas afinal, o que de fato muda com a abdicação de Joseph Ratzinger?

Padre Ailton Goulart Rosa

Em entrevista ao Tribuna Alpina o pároco alpinopolense, Padre Aílton Goulart Rosa falou sobre sua visão em face da inusitada situação. Disse que, apesar de ter recebido com surpresa a notícia do afastamento de Bento XVI, entendeu a atitude como um gesto de grandeza. Afirmou que foi pego de surpresa, mas que, como a maioria dos líderes espirituais católicos das paróquias do Brasil e do mundo, encarou o processo como um ato de liberdade do pontífice. Disse ainda que mudanças obviamente acontecerão, visto que assumirá um novo líder e que crê no ocorrido como algo coberto pela ação do Espírito Santo. Falou ainda sobre especulações sobre a sucessão e deixou sua mensagem de fé à população católica de Alpinópolis.

TRIBUNA ALPINA: Como pároco de nossa cidade, como o senhor encarou o comunicado da renúncia de Bento XVI?

PADRE AILTON: Fiquei surpreendido como qualquer outra pessoa, mas muito tranqüilo em relação à decisão do Papa. Minha fé em que Bento XVI agiu sob total inspiração do Espírito Santo, me dá essa tranqüilidade e a segurança de que ele fez o melhor pela Igreja.

TRIBUNA ALPINA: Em sua opinião, houve algum tipo de pressão para que Ratzinger se retirasse do comando da Igreja Católica?

PADRE AILTON: De forma alguma. Creio que foi um ato voluntário e o Papa não cedeu a nenhum tipo de pressão, sendo essa uma decisão soberana e imbuída de muita grandeza, humildade e sabedoria. Como já disse anteriormente, estou certo que foi uma decisão inspirada pelo próprio Deus.

TRIBUNA ALPINA: Sobre a sucessão, algum palpite sobre um possível favorito para ocupar a cadeira pontifícia?

PADRE AILTON: Apesar das especulações da mídia entre um e outro nome, eu entendo o processo como algo divino e totalmente submisso a vontade de Deus. Óbvio que o colégio de cardeais que escolherá o novo Papa é composto por homens, mas eu acredito que nesse momento estão sob total influência do Espírito Santo e, portanto a decisão pertence tão somente a Deus e somente Ele saberia indicar esse “favorito”. Isso não cabe a mim.

TRIBUNA ALPINA: O que diz sobre a possibilidade de termos um brasileiro no papado?

PADRE AILTON: Como já disse, não há como trabalhar com hipóteses em relação aos planos de Deus, mas caso seja um brasileiro, será muito bem-vindo, assim como qualquer outro.

TRIBUNA ALPINA: Essas inovações que poderão ocorrer em virtude da sucessão papal, trazem alguma mudança especial para a Diocese de Guaxupé e para a Paróquia de Alpinópolis?

PADRE AILTON: As mudanças que ocorrerão serão em escala mundial, pois a Igreja Católica é universal. Assim a Diocese de Guaxupé, da qual faz parte a nossa paróquia, acompanhará as orientações que vierem do Vaticano. Apenas saberemos se haverão mudanças pontuais, tanto aqui em Alpinópolis quanto em toda a abrangência da Diocese, depois que o novo Papa assumir e tomar suas decisões. Até lá nos reservamos a dizer que tudo segue normalmente.

TRIBUNA ALPINA: Faça um balanço sobre o pontificado de Bento XVI.

PADRE AILTON: Sou da opinião de que foi um período no qual se preservou muito a Igreja. O Papa soube sabiamente contornar uma série de problemas que assolaram a Santa Sé devido a seu preparo espiritual e sua vasta cultura. Bento XVI também nos deixou um legado de organização e diálogo com os fiéis, além de nos brindar com três encíclicas inspiradíssimas, para quem não conhece, são elas Deus Caritas ests, Spe salvi e Caritas in Veritate. Entendo que a Igreja esteve, de 2005 a 2013, sob a boa direção de um grande intelectual e humilde servo de Deus. Meu balanço é muito positivo.

TRIBUNA ALPINA: Para finalizar, gostaríamos que deixasse uma mensagem de fé aos mais de 16 mil católicos alpinopolenses que, como os demais espalhados pelo mundo, estão apreensivos com essa situação inusitada pela qual passa a Igreja Católica.

PADRE AILTON: Não há motivo para que os fiéis se preocupem. A situação está sob o controle divino e o Espírito Santo é que levou o Papa a tomar essa atitude, reconhecendo suas limitações humanas, sua saúde frágil e seu compromisso com a Igreja. Confiante na providência divina, digo a todos os católicos que estejam em absoluta tranqüilidade, pois tudo está nas mãos de Deus.

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