Politizando

Motoristas da Prefeitura de Alpinópolis paralisam serviços por corte em diárias

Claudio Krauss
Motoristas da Prefeitura de Alpinópolis paralisam serviços por corte em diárias

Uma decisão tomada pelo prefeito José Gabriel dos Santos Filho, o Zé da Loja (PSD), de cortar parte das diárias dos servidores do setor de transporte da administração municipal, acabou gerando revolta entre os motoristas em Alpinópolis.  Em protesto, a classe organizou uma paralisação na manhã desta quinta-feira (31), quando apenas os serviços classificados como essenciais funcionaram. Segundo a prefeitura, a medida foi tomada em função de uma recomendação emitida pela promotoria de Justiça da comarca.

O pivô da reclamação é a questão do prejuízo financeiro que a nova determinação pode trazer aos motoristas, já que os valores das diárias serviam para equilibrar a defasagem dos vencimentos da categoria. Segundo os servidores, o salário do motorista do setor público de Alpinópolis é um dos piores da região, sendo mais baixo, inclusive, que os recebidos em cidades menores.

De acordo com a prefeitura, a decisão de efetuar os cortes respeita a uma recomendação do Ministério Público, segundo a qual, a quantia paga pelas diárias não poderia ultrapassar 50% do valor do vencimento de cada servidor. Os motoristas, por sua vez, argumentam que a medida inviabiliza o cumprimento de suas funções, tendo em vista que seria, justamente, o valor das diárias o fator compensatório para a defasagem salarial que a classe vem sofrendo.

Decreto 3.767/2019 estabelece novos valores para diárias.

Uma viagem com duração superior a 12 horas, por exemplo, que antes dava direito a uma parcela para alimentação no valor de R$ 150 aos motoristas foi reduzida para R$ 70, um corte equivalente a mais de 53%.

A nova norma ainda determina que o afastamento por período entre 6 e 9 horas dará direito a uma diária de R$ 25, e entre 9 e 12 horas a R$ 50. Também ficou definido que o deslocamento por período inferior a 6 horas não será passível de nenhum tipo de recebimento. Já em relação às viagens de ida e volta, sem necessidade de pernoite, os valores variam de acordo com a distância.

Outra reclamação da classe diz respeito ao recebimento dessas diárias, que normalmente é feito por antecipação, porém isso não vem ocorrendo, obrigando os motoristas a bancarem as despesas – com alimentação e abastecimento – usando recursos próprios. Também há uma reivindicação relativa ao pagamento de horas extras que, igualmente, teria passado por cortes e estaria acontecendo com constantes atrasos. Existe ainda uma demanda em relação ao piso salarial da categoria que, conforme relatos, estaria consideravelmente defasado.

Para tentar sanar o problema, foi realizada uma reunião na manhã desta quinta-feira, entre motoristas e o prefeito e alguns de seus auxiliares, na sede da prefeitura. As partes, no entanto, não chegaram a um acordo. Já no início da tarde, o grupo foi recebido no fórum local pela promotora Larissa Brisola, oportunidade em que alguns esclarecimentos sobre a recomendação do Ministério Público foram prestados.

Por fim, munidos de novas informações, os motoristas tiveram uma nova reunião com o prefeito no final da tarde. As tratativas avançaram um pouco, já que a administração se comprometeu em resolver a questão das horas extras, cujo pagamento voltaria a acontecer, porém não de forma retroativa. No entanto, em relação às diárias e ao piso salarial, não se chegou a um consenso e ficou decidido, pela maioria dos servidores, que a paralisação teria sequência por tempo indeterminado, até que se estabeleça um acordo. A Prefeitura de Alpinópolis solicitou um período entre 15 e 20 dias para analisar a situação.

Apenas alguns carros do Departamento Municipal de Saúde, notadamente os que atendem os setores de hemodiálise e oncologia, viajaram normalmente nesta quinta, ficando o restante estacionado no pátio do almoxarifado municipal.