Cotidiano

Lanches Feijãozinho segue funcionando na Praça Osvaldo Américo dos Reis após decisão liminar da Justiça

Claudio Krauss
Lanches Feijãozinho segue funcionando na Praça Osvaldo Américo dos Reis após decisão liminar da Justiça

Uma decisão liminar da Vara Única da Comarca de Alpinópolis garantiu a permanência, por ora, do tradicional Lanches Feijãozinho na Praça Osvaldo Américo dos Reis. O juiz Claiton Santos Teixeira suspendeu os efeitos do Decreto Municipal nº 5.607/2025, que havia determinado a cassação do alvará e a desocupação imediata do quiosque para o início das obras de revitalização da praça.

A medida atendeu ao mandado de segurança impetrado pelo proprietário do estabelecimento, Nilson Oliveira, e suspende a ordem de retirada em 48 horas expedida pela Prefeitura. O magistrado entendeu que a administração municipal não assegurou o contraditório nem a ampla defesa antes da cassação do alvará, válido até 31 de dezembro de 2025. “O Estado tem o poder-dever de fiscalizar todas as atividades, mas não pode interferir sem processo administrativo regular”, destacou a decisão, ao reconhecer o risco de dano imediato à atividade do comerciante.

DEFESA DO COMERCIANTE

Em nota divulgada nas redes sociais, o Lanches Feijãozinho classificou a medida da Prefeitura como “arbitrária” e denunciou que o alvará foi cassado sem qualquer processo administrativo. O proprietário também questionou o caráter da decisão, sugerindo que houve perseguição política, já que sua filha, a ex-vereadora Maysa Marques Oliveira Brasileiro, foi adversária do atual prefeito nas últimas eleições.

Nilson Oliveira, que mantém o ponto há quatro décadas, afirma que a lanchonete faz parte da memória da cidade e que sua saída da praça representaria um apagamento simbólico. “O Feijãozinho não é apenas um ponto de lanche. É parte da memória afetiva da Ventania, um símbolo da nossa cidade”, declarou.

POSIÇÃO DA PREFEITURA

A administração municipal reforçou que a área é de propriedade pública e que a permanência da lanchonete impede o avanço das obras de revitalização da praça, orçadas em R$ 1,57 milhão, sendo R$ 1 milhão repassado pelo Estado de Minas Gerais por meio da Segov e o restante, R$ 571 mil, custeado pelo município.

Em nota oficial, a Prefeitura destacou que a liminar não confere à empresa qualquer direito de posse sobre o espaço, mas apenas restabelece temporariamente o alvará de funcionamento. “O patrimônio público não é moeda de troca: é direito de todos e dever do gestor de defendê-lo”, afirmou o prefeito Rafael Freire.

O prefeito também ressaltou que, em nenhum momento, a empresa buscou diálogo com o Executivo. “Pelo contrário, a empresa contra-notificou o município, recusando-se a sair do espaço e insistindo numa posse que a própria Justiça já reconheceu que não lhes pertence”, afirmou.

PRÓXIMOS PASSOS

A Prefeitura informou que já acionou sua equipe jurídica para adotar todas as medidas cabíveis no sentido de viabilizar a desocupação do espaço e garantir a continuidade das obras, que têm prazo de execução de 180 dias.

Enquanto isso, a disputa segue acompanhada de perto pela população, dividida entre a defesa da modernização urbana e o valor histórico e afetivo do Lanches Feijãozinho, ponto tradicional do centro de Alpinópolis há mais de 40 anos.

Fonte: Folha da Manhã