Cotidiano

Moradores do São Bento, em Alpinópolis, temem cobrança de tarifas da Copasa

Claudio Krauss
Moradores do São Bento, em Alpinópolis, temem cobrança de tarifas da Copasa

As pessoas que vivem da comunidade rural do São Bento, situada às margens da rodovia MG-446, no município de Alpinópolis, estão inquietas com a proximidade da implantação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, no local.  A grande preocupação dos moradores que vivem nas cerca de 60 casas do povoado é, na verdade, com as novas tarifas que passarão a ser cobradas, consideradas muito altas pela maioria. Um abaixo-assinado, pedindo pela não instalação da companhia na localidade, chegou a ser feito e foi protocolado no escritório da empresa em Alpinópolis.

A Copasa detém os direitos de exploração dos serviços de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto na sede do município de Alpinópolis graças a um contrato de programa assinado, em 2016, pelo ex-prefeito Júlio César Bueno da Silva, o Júlio Batatinha (PTB). O documento também prevê a prestação dos mesmos serviços no bairro rural do São Bento.

A execução e a cobrança por tais serviços começaram, em janeiro de 2017, apenas na sede do município. Agora, alguns anos depois, a Copasa dá início ao processo de implantação das atividades no São Bento. Os moradores estão apreensivos diante da movimentação de funcionários da empresa e a colocação de cavaletes de ligação de água nas residências. No local, atualmente, o esgoto é coletado por rede própria, mantida pela Prefeitura Municipal, e descartado em uma pequena estação de tratamento, construída pelo poder público há aproximadamente 12 anos.

Já o fornecimento de água é realizado por meio de um poço artesiano construído no bairro há cerca de 28 anos. De acordo com a Copasa, nos anos de 2019 e 2020, foi realizada a padronização do sistema de abastecimento de água, com a execução de posto de dosagem de cloro e flúor, a substituição de reservatório metálico e a instalação de cavaletes.

O que tem assustado os moradores, no entanto, não é a mudança no sistema e sim a inevitável cobrança pelos serviços, já que o povoado é composto, em sua maioria, por pessoas de baixa renda. E essa inquietação não vem de agora. Em junho do ano passado, já prevendo uma possível ação nesse sentido, um abaixo-assinado foi elaborado pela população local e protocolado na sede da Copasa, em Alpinópolis.

O trabalhador rural Weder Reis da Silva Pimenta, de 28 anos, diz que ele e muitos outros moradores não concordam com a cobrança que está para ser introduzida no bairro, já que o poço artesiano, instalado no local há muitos anos, vem servindo muito bem à população e dispensaria qualquer intervenção da Copasa. “Acho muito errada essa cobrança que estão querendo fazer aqui. Nós ganhamos o poço artesiano que abastece as casas, colocado em 1992 pelo ex-prefeito Cassiano José Lemos, e agora vem a Copasa querendo assumir e cobrar do povo. Aqui ninguém acha isso certo, já fizemos um abaixo-assinado, mas não sei se vai resolver alguma coisa”, disse.

Neste abaixo-assinado, os moradores requerem, considerando ainda não terem sido convidados a participar de qualquer audiência pública para definição do assunto, que deles não seja cobrada qualquer taxa de tratamento pela companhia. O texto ressalta, ainda, que a comunidade é carente e as pessoas ali residentes não dispõem de recursos para pagamento dessa natureza de serviço. “Assim, não queremos esse tipo de cobrança em nosso bairro rural”, destaca a parte final do documento.

A COPASA

A Copasa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que realiza investimentos contínuos em Alpinópolis. Esclareceu que estão previstas, para 2021, obras de melhorias do sistema de água e de esgotamento sanitário no São Bento, visando garantir melhor qualidade de vida aos moradores, que, além da água, terão o esgoto tratado antes de ser devolvido aos córregos e rios da região, proporcionando melhoria da qualidade das águas e ganho nas condições de saúde de toda a população.

As tarifas pela prestação dos serviços de água e de esgotamento no bairro rural, segundo a companhia, serão cobradas conforme resolução da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) e são as mesmas em todos os municípios atendidos pela empresa.

A companhia ainda esclarece que os usuários que atendam aos requisitos necessários, poderão ser cadastrados na categoria relativa à Tarifa Social, que é um benefício para as famílias que estão no Cadastro Único para Programas Sociais – CadÚnico. A Tarifa Social reduz as faturas dos serviços de água e de esgotamento sanitário da Copasa em até 50%.

Fonte: Folha da Manhã