A COP 30, realizada em Belém do Pará, reúne milhares de participantes de todo o mundo em debates sobre sustentabilidade, preservação ambiental e economia da floresta. Entre os presentes esteve um representante que vive em Alpinópolis: Tarcísio Carvalho de Oliveira, 58 anos, conhecido como Tiso do Prancha. Ao contrário de muitos delegados que compareceram como integrantes de comitivas oficiais, o alpinopolense participou por iniciativa própria com recursos pessoais, investindo cerca de R$ 2 mil em deslocamento por ônibus. A jornada consumiu três dias, percorrendo Passos (MG), Ribeirão Preto (SP), Goiânia (GO), Imperatriz (MA), até Belém. Em sua permanência, se hospedou em uma escola reformada pelo governo paraense e adaptada para funcionar como hostel, onde pagou cerca de R$ 200 de diária.
Segundo informou, sua ida à COP 30 teve caráter duplo: participar dos debates ambientais e explorar produtos amazônicos com potencial de comercialização e exportação. Tiso relatou que não recebeu convite oficial para participar, mas optou por comparecer pela livre vontade e pela disposição em viver a experiência oferecida por esse evento único.
Conforme observou o alpinopolense, a conferência mostrou-se acessível a todos, permitindo que cidadãos comuns circulassem por palestras, congressos e painéis sobre preservação ambiental, reciclagem, manejo de resíduos e economia da floresta, sem necessidade de agendamento prévio. Ele comentou, ainda, que há uma infinidade de congressos simultâneos em diversas áreas temáticas, o que facilita a movimentação por múltiplas programações ao longo do dia.
Tarcísio contou que vem avaliando produtos como café feito do caroço de açaí, chocolate produzido na Ilha do Combo e açaí liofilizado, com foco em potencial de revenda e exportação. Segundo ele, alguns expositores europeus com que manteve contato manifestaram interesse em futuras negociações. “Essa rede de relacionamentos representa um ativo importante para possíveis parcerias comerciais a serem exploradas”, comentou. A presença de uma conhecida sua, residente em Paris, que operava três estandes no evento, ofereceu perspectivas comerciais adicionais e serviu, em sua visão, como validação de que o mercado europeu está aberto a produtos amazônicos.
Ao circular pelo evento, Tiso teve oportunidade de observar delegações de dezenas de países. Conforme mencionou, a China enviou aproximadamente 300 representantes, número que chamou sua atenção pelo volume. Ele também presenciou pessoalmente no local autoridades brasileiras como os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Celso Sabino (Turismo) e Simone Tebet (Planejamento), além da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, todos em atividades relacionadas à COP 30.
Quanto à alimentação, Tarcísio revelou que gastou, em média, R$ 100 por dia em estabelecimentos mais acessíveis nos arredores do evento, já que os preços variam consideravelmente dentro e fora do perímetro da conferência. Durante sua estadia, o alpinopolense disse que foi possível perceber transformações urbanas em Belém: restaurantes operavam em capacidade máxima, serviços de transporte como Uber funcionavam sobrecarregados deslocando milhares de pessoas diariamente, e navios especializados atracaram no porto para fornecer suporte logístico com hospedagens flutuantes.
Tiso lembrou que o município recebeu convite formal para comparecer à COP 30. No entanto, a administração optou por não participar, mencionando preocupações com custos envolvidos na viagem. Oliveira opinou que essa ausência, em sua visão, representava uma perda de valiosas oportunidades de aprendizado e participação em debates relevantes sobre sustentabilidade. Avaliou, ainda, que a presença em conferências internacionais oferece experiências que ampliam a compreensão sobre economia, reciclagem e práticas de preservação ambiental, que podem, posteriormente, ser aplicadas em ações municipais.
Por fim, o alpinopolense relatou que essa experiência na COP 30 lhe permitiu, além do envolvimento direto com diversas temáticas relacionadas ao meio ambiente, também um importante contato com expositores e possíveis parceiros comerciais, especialmente aqueles ligados a produtos amazônicos, que podem representar oportunidades econômicas para brasileiros de qualquer região do país.
