Dobrai sinos, dobrai ! O filho de Dona Quitita
chegou ao céu…
Dobrai sinos, dobrai! Um filho dileto de Maria
chegou ao céu…
Como hóstia viva,
chegou ao céu…
Dobrai sinos, dobrai !
Dobrai sinos de Roma, em teu solo um sacerdote alpinopolense tombou,
Dobrai sinos de Alpinópolis, para o teu solo o filho sacerdote voltou.

O nome oficial da Congregação do Padre Tiãozinho é “Congregatio Santissimi Sacramenti” e tem como sigla, que sempre segue depois dos nomes dos religiosos, SSS – Societas Santissimi Sacramenti.
NOTÍCIA OFICIAL DE FALECIMENTO, com foto, divulgada no site Província Nossa Senhora de Guadalupe (Brasil, Argentina e Chile), datada de 14 de agosto de 2016 (domingo). http://www.sacramentinos.com/
“Com muito pesar comunicamos o falecimento de nosso querido Pe. Tiãozinho,sss, ocorrido em Roma. Foi vítima de um infarto cardíaco.
Unamo-nos em oração neste momento de grande perda com sua família e toda família sacramentina na certeza de sua ressurreição!”
Notícia complementar – dia 16 de agosto de 2016:
“Falecimento de Pe. Tiãozinho,sss
Com muito pesar comunicamos o falecimento de Pe. Tiãozinho,sss, no dia 14 de Agosto, em Roma. Os encaminhamentos estão sendo feitos e o corpo virá para sua cidade natal, Alpinópolis – MG, onde será velado e sepultado.
Descanse em paz, querido Pe. Tiãozinho, sss!”
ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE O PADRE TIÃOZINHO RECOLHIDAS PELO DIÁCONO DIMAS FERREIRA LOPES
1) Papel fundamental da Diocese de Guaxupé no despertar vocacional do Padre Sebastião.Texto historiográfico da professora Ruth Carvalho da Costa. Sacramentinos : ação evangelizadora na Diocese de Guaxupé. Juventude cristã católica: do jornal ao Grupo Tronco (ao qual o Pe. Tiãozinho esteve integrado).
Em artigo de sua autoria, intitulado UMA HISTÓRIA DE FÉ, AMIZADE E COMPROMISSO SOCIAL, a Professora e Supervisora Escolar Doutora Ruth Carvalho da Costa conta que o grupo “TRONCO”, do qual fez parte com Padre Tiãozinho, teve seu começo reportado à Congregação Religiosa dos Padres Sacramentinos: “Começavam os anos 60, quando esses padres vieram para Monte Santos de Minas, onde fora construído um seminário da referida congregação. (…)A formação religiosa que a igreja oferecia aos jovens, antes do Concílio Vaticano II, diversificava-se nas siglas JAC para a Juventude Agrária Católica, JEC (Juventude Estudantil Católica) JIC (Juventude Independente Católica) JOC ( Juventude Operária Católica) e JUC ( Juventude Universitária Católica). (…) O trabalho de catequese infantil, iniciado em Monte Santo, se espalhou pela região, sobre os auspícios da DIOCESE DE GUAXUPÉ. As primeiras cidades visitadas e que aderiram ao projeto foram: Itamogi, São Sebastião do Paraíso, Passos, Alpinópolis e Carmo do Rio Claro. Nelas, assessorados por professores, os padres sacramentinos iniciaram a “Catequese Escolar” os “Clubes Vocacionais”, os “Círculos Vocacionais”. A Catequese era a base, de donde emergiam crianças com estrutura familiar piedosa e que mostrassem interesse para a vida sacerdotal. Essas recebiam outro nível de formação, reunidas nos Clubes Vocacionais. À medida que passavam para a adolescência eram acolhidas nos “Círculos Vocacionais” dando continuidade a sua formação, considerando a faixa etária em que estavam. Se persistissem nos Círculos seguiam para o Seminário. Neste conviviam com a JEC orientados pelo padre orientador educacional e espiritual, acompanhando seus estudos, orientando na fé, nas exigências de idade e vocação (…) A Pastoral de Juventude seguia alimentada pelos Encontros de Jovens, sempre sob a égide da Igreja. Atravessávamos os historicamente chamados “Anos de Chumbo”, violentíssimos na perseguição e na tortura aos presos. Também para proteger os jovens nos “Encontros”, os padres os acolhiam nos seminários e paróquias. Foi assim que, nesta região, Galvão recebeu em Paraíso, Luiz Girotti em Tambaú, José em Monte Santo. A Congregação Sacramentina em Uberaba (…).Em uma dessas avaliações surgiu a ideia de nos comunicarmos por um jornal. Ele poderia sair de qualquer lugar onde um de nós estivesse, desde que sentisse alguma necessidade. Seu nome, dadas às experiências vividas nas missões seria “O TOCO”. Daí para “O TRONCO”. (…) À convocação pelo TRONCO para tal encontro na Semana Santa que se aproximava, a aceitação foi ampla e rápida. Realizou-se, conforme o pedido. Em Ribeirão Preto em nossa casa. Desde então passamos a nos reunir toda Semana Santa. Cada ano um grupo recebe. Assim, Ribeirão já recebeu (2) vezes, Campinas (1), Belo Horizonte (2), Tambaú (1), São Paulo (1). DO GRUPO TAMBÉM SURGIU UM PADRE, SEBASTIÃO MEZÊNCIO, PE. SACRAMENTINO. O Tiãozinho está conosco, com nossos filhos e outros amigos, nos bons e maus momentos. Casamentos, formaturas, bodas, mortes, doenças… Vai nos receber em sua paróquia em Alfenas na Páscoa 2005.(…)”. http://www.oraetlabora.com.br/mpc/tronco_historiafe.htm
2) Foto de julho de 1980 – ainda muito jovem, cultivando barba (o rebelde contra as injustiças sociais: o ideal progressista e social do jovem Sebastião).

3) 1995 – 1997: idealizador e fundador de creche comunitária (a resposta cristã contra as injustiças sociais).
O Jornal Metropolitano, Órgão oficial de Comunicação da Arquidiocese de Uberaba, Ano 6 – 37ª Edição – setembro/2013 noticiou uma medida concreta que empreendeu com apoio dos paroquianos conscientes em benefício das crianças , filhas de pais trabalhadores que não tinham com quem deixar as crianças durante o expediente laboral.
“A Associação Creche Comunitária Monika Budeus e Ricardo Henrique Misson funciona no bairro Santa Marta, na Rua Brasília, 344, ao lado da Paróquia da Ressurreição. Surgiu a partir do chamado da Campanha da Fraternidade de 1995: A Fraternidade e os excluídos. Na ocasião, o pároco da Ressurreição Padre Sebastião Leite Mezêncio Machado, o Padre Tiãozinho, sacramentino, chamou a comunidade para assumir um projeto concreto: criar um espaço para as crianças cujos pais trabalhavam e para aquelas excluídas pela sociedade. A resposta foi positiva e a creche iniciou suas atividades em 08/03/1997, tendo como mantenedora a Congregação do Santíssimo Sacramento, fundada por São Pedro Julião Eymard. Padre Tiãozinho sugeriu que fosse dado à creche o nome de dois jovens que morreram muito cedo e deixaram exemplos de coragem e de alegria. Daí o lema da creche: Coragem para caminhar e alegria para viver. Em 2007, a creche desligou-se da mantenedora e passou a funcionar como pessoa jurídica de direito privado com autonomia administrativa e financeira, assumida pela comunidade e contando com o apoio e recursos do Município e de outras parcerias. Alicerçada nos princípios cristãos e filantrópicos, desenvolve uma proposta sociocultural-educativa, tendo como objetivo a integração social a partir das perspectivas que busquem uma sociedade mais justa e fraterna. A ação pedagógica assim organizada propicia oportunidade para estimular um bom desempenho da criança em seu estágio evolutivo, valorizando seus interesses espontâneos e seus valores culturais, morais e espirituais. São atendidas 80 crianças, de três a seis anos de idade, das 7 às 17 horas. A creche acredita na comunicação direta com as famílias. Por isso, realiza mensalmente o Programa de Integração Familiar – Projeto de Apoio e Formação (PIF-PAF). Amabile Pierroti – PASCOM”.
4) Agosto de 2002 : Missa de mês de José Iglair Lopes, em Belo Horizonte, na Basílica da Boa Viagem. A azeitona e a uva
“O Iglair, um cristão exemplar de Alpinópolis, voltou para a Casa do Pai, dia 22 próximo passado. Tive a alegria de tê-lo conhecido, era com certeza um homem de Deus, preocupado com a evangelização. Falo dele hoje, aqui em Belo Horizonte, porque o seu filho Dimas está aqui participando da ação sagrada da Missa. Seu exemplo de leigo atuante ficará. Na cidade de Alpinópolis ele insistiu e conseguiu plantar oliveiras, para que as azeitonas dessem realidade ao cenário religioso que tem o nome de Monte das Oliveiras, um educativo monumento da história da salvação. Eu também vou insistindo com minhas uvas e bom vinho na terra querida” (excerto da homilia do Padre Sebastião Leite Mezêncio Machado).

Hoje, pela graça de Deus, e confiança do Arcebispo Metropolitano de Arquidiocese de Belo Horizonte, D.Walmor Oliveira de Azevedo, eu, Diácono Dimas Ferreira Lopes, natural de Alpinópolis, terra do Padre Tiãzinho, integro, pela segunda vez, a Diretoria da Fundação Obras Sociais Nossa Senhora da Boa viagem (FONSBEM), atualmente presidida pelo sacramentino Pe. Marcelo Silva, sss, e já o foi, no passado, pelo Padre Sebastião Leite Mezêncio Machado. Sinto-me honrado de servir na congregação amada e abraçada pela vocação sacerdotal do Padre Tiãozinho.
5) Depoimento do Diácono Permanente Carlos Eduardo da Silva Nogueira, ex – seminarista sacramentino (década de 1980), amigo particular do Padre Tiãozinho.
Meu irmão no diaconado permanente Carlos Eduardo já esteve em Alpinópolis em companhia do Padre Sebastião. Almoçaram na casa de Dona Quitita, ocasião que Tiãozinho o levou para conhecer o Monte das Oliveiras. A meu pedido, redigiu o depoimento que segue:
O LEGADO EUCARÍSTICO DO PADRE TIÃOZINHO, SSS

Simplicidade foi um traço marcante de sua pessoa. O seu modo de vestir, conversar, celebrar e na convivência com as pessoas demonstram isto. Ser chamado “Tiãozinho” revela este jeito simples, informal, fraternal e paternal no trato com as pessoas. Dialogar com ele era fácil: atencioso, cordial, respeitava as diferenças entre as pessoas e suas opiniões. Simples também nas atitudes, testemunhava pela ação. Quando do início da construção da Casa ao lado da Rádio América, em Belo Horizonte, foi o primeiro a iniciar a capina do terreno, motivando os seminaristas para isto. Nesta simplicidade, recebia diversas pessoas, incluindo sacerdotes, para uma visita ou mesmo para aconselhamento. Na Comunidade da rua Bacuri, bairro Alto dos Pinheiros, não raro estava na cozinha preparando alimentos. Fazia tudo com alegria
Sabedoria foi outra característica dele. Inteligente, tinha raciocínio lógico e prático.Gostava de uma filosofia real, não teórica. Era dinâmico nas ações. Percebia logo determinada realidade para indicar o melhor caminho. Condividir era uma de suas palavras preferidas para ensinar aos jovens a viver em comunidade, a partilhar com o próximo, superando o individualismo. Gostava também de aproximar-se dos seminaristas perguntando “como vai a vida, jovem?”, iniciando uma conversa descontraída, mas positiva, sempre com algum ensinamento. Convivia conosco na confiança e respeitando a liberdade de cada um. Nesta sabedoria foi misericordioso também para com todos.
Servir foi uma constante em sua vida. E não sem sacrifícios até da saúde. Não media esforços, por exemplo, para viajar em horário fora da rotina do dia a dia. Assim o fazia para reuniões da Congregação ou para orientar um retiro em outra localidade, independente de horas de refeição ou do descanso. Auxiliou sacerdotes em outras paróquias, convidado para celebrações. Exerceu diversas funções na Congregação como Formador, Pároco em várias Comunidades, Conselheiro Provincial, Provincial e, ultimamente, Ecônomo Geral. Um serviço importante aos Sacramentinos foi a amizade dedicada aos demais religiosos. Sabia conviver com todos os confrades, independente da idade, da maneira de ser. Trabalhou pela unidade e união de todos. Não lhe escapou o carinho e a presença junto aos familiares.
Resumidamente, tentei mostrar um pouco do perfil do Padre Sebastião Leite Mezêncio Machado, utilizando cada letra da sigla da Congregação do Santíssimo Sacramento (SSS), como uma homenagem. Creio que neste modo de viver, ele deixou-nos um modelo de vida eucarística, ou seja, da doação do dom de si. Pude conviver com ele, mais de perto, no período 1985,1986 e 1987. Sou-lhe imensamente grato pela acolhida desde o primeiro momento, por ter-me aberto as portas da Congregação e pelo bem recebido. A sua memória estará eternamente em meu coração.
BH-MG, 16/8/2016.

6) PLANO PASTORAL PAROQUIAL – PPP – PARÓQUIA DE SÃO SEBASTIÃO DE ALPINÓPOLIS 2016 (vigência 2017-2020), Coordenador Padre Donizetti de Brito.
Publicação da Paróquia São Sebastião de Alpinópolis, edição 2016. Por determinação do Padre Donizetti de Brito foi elaborado um rol com referência honrosa aos nomes de padres nascidos em Alpinópolis, ou daqui considerados. Dentre os presbíteros ordenados, foi listado, dentre os “vivos”, o já saudoso Padre Sebastião Leite Mezêncio Machado, sss ( PPP, pág.42 ).
Data de nascimento : 6/6/1946 (70 anos)
Data de ordenação sacerdotal : 8/7/1978
Data de falecimento : 14/8/2016
Homem de Deus
Homem da Igreja, unido ao Papa
Homem sacramentino
Sacerdote sacramentino
Bom filho
Bom irmão
Bom tio
Cidadão empreendedor, Financista competente
Católico dócil, devoto de Maria e de São Sebastião


Um singelo registro memorial,
Diácono Dimas Ferreira Lopes
BH, MG, 18/8/2016


