Em agosto comemorou-se o Dia Nacional da Saúde. Mas será que no Brasil, e notadamente aqui pelas bandas da cidade dos ventos, teríamos motivos para comemorar? A realidade do cidadão, que paga altíssimos impostos para receber um serviço de qualidade, nos diz que não. E não é por falta de dinheiro, pois basta uma rápida olhadela na Lei Orçamentária do Município de Alpinópolis para ver que há uma previsão de gastos de quase R$ 11 milhões para o setor em 2014. É para essa pasta que está destinado o maior montante de recursos dentro da Prefeitura de Alpinópolis, quase 30% de tudo que entra nos cofres públicos daqui. Então fica fácil perceber que o sistema de saúde no município carece mais de eficiência do que de verbas, ou seja, o problema tem mais a ver com desorganização, ineficiência e politicagem do que com falta de dinheiro. É triste encarar a realidade de que por aqui, como em muitas outras cidades brasileiras, existe uma “política com a saúde” e não uma “política para a saúde”.
Boa parte dos recursos visa tão somente financiar ações politiqueiras, que tem como foco principal angariar votos com a realidade de cidadãos que se encontram fragilizados devido a seu estado de saúde. Faz-se uma campanha política permanente utilizando dinheiro público e muita lábia. O pobre pagador de impostos acaba por acreditar que está, realmente, recebendo um grande favor daqueles “anjos” e se vê obrigado a restituir o benefício com seu voto. Essa politicagem apodrecida vem, há muito, tornando nosso sistema de saúde ineficiente, paternalista e caro. Com a proximidade das eleições a coisa piora. Nessa época fervilham os “favores” políticos na saúde e os exames e cirurgias são marcados como se estivéssemos na Inglaterra. Isso sem contar as liberações de recursos federais e estaduais para construção de postos de saúde, compra de veículos e aquisição equipamentos para o setor. O eleitor é iludido com essas manobras politiqueiras e cai, outra vez, na tapeação de quem só quer o seu voto. No meio de tanta ardileza é simples concluir que não adianta colocar mais dinheiro em um sistema desfocado como é, atualmente, o nosso. Primeiro é necessário melhorar a gestão para que não se repitam os velhos vícios de sempre.
Diante dessa constatação, aumenta a certeza de que Alpinópolis precisa mudar imediatamente seus parâmetros de administração pública. Não dá mais para compactuar com uma gestão que não consegue definir uma política séria de saúde, que não executa uma especificação de metas claras para melhorar a vida das pessoas. Por aqui, seja quem seja, busca obstinadamente perpetuar-se no poder utilizando-se de equipamentos públicos para fazer uma política de partido em uma verdadeira campanha eleitoral de caráter permanente. Precisamos urgentemente de pessoas capazes de melhorar a gestão do sistema e resolver, com os recursos disponíveis, os reais problemas que afetam a população alpinopolense. Que todos sejam atendidos com a igualdade que a Constituição Federal garante aos usuários, independente de sua raça, classe social, religião ou posicionamento político. É importante que a população de Alpinópolis se conscientize que a utilização do comando gerencial da saúde como meio para fazer politicagem é crime.
