DEFINITIVAMENTE, NÃO!… – Por Conceição Lima

Uma pergunta nada discreta: “Você se acha uma pessoa CONSCIENTE de suas ações?”

A maioria me garantiria que “SIM”, mas convém colocar um senão: “Nem sempre!… Ou quase nunca!…”

Na maioria das vezes, você opera é “no piloto automático”, não importando se realiza apenas ações corriqueiras como dirigir de volta para casa ou escolher o que vai comer no restaurante, ou se está às voltas com decisões complexas como escolher que profissão irá seguir, decidir com quem vai se casar ou em quem irá votar nas próximas eleições.

 “Não acredita?” Bem… tente observar-se (e aos outros também)…

Afinal, quais as verdadeiras motivações de nossas escolhas? Será que realmente as conhecemos racionalmente? Então, como explicar tanta “loucura” e insensatez cometidas ao longo da existência?

O fato é que temos muitas questões lacradas dentro da gente, no INCONSCIENTE, o que nos leva a agir e reagir sem pensar, sem saber e mesmo sem querer… Aliás, até dependemos disso para sobreviver, como no simples ato de respirar. Então, pode-se dizer que você é, na maior parte do tempo, bastante INCONSCIENTE do que faz.

“CALMA, muita calma nesta hora!”

Não se trata de uma ofensa de minha parte, absolutamente! Se é que ajuda, é bom saber que não estou falando aqui daquele inconsciente ignoto e tenebroso proposto por Freud. Esta nova concepção de inconsciente agora é bem mais light. Aqui, o termo significa, basicamente, o nosso modo AUTOMÁTICO de agir.

Acredite ou não, a nossa mente consciente está presente em pouquíssimas ações do cotidiano. O que prevalece é mesmo o automatismo inconsciente. Isso é o que nos ensina Leonard Mlodinow no livro intitulado SUBLIMINAR: COMO O INCONSCIENTE INFLUENCIA NOSSAS VIDAS, de 2014, o mesmo autor de outra obra bem provocadora: O ANDAR DO BÊBADO: COMO O ACASO DETERMINA NOSSAS VIDAS.

 Esse nosso “agir inconsciente”, se nos permite realizar feitos incríveis sem que a gente perceba, infelizmente também nos pode levar a erros igualmente incríveis e indesejáveis. Experimentos atualíssimos têm comprovado isso!

Vivemos grande parte da vida no “piloto automático”: respiramos, comemos, andamos, trabalhamos, nos divertimos, amamos sem darmos conta disso! Inconscientemente, vamos repetindo escolhas sem termos a exata noção do que fazemos, de um modo meio robótico e sem lógica aparente.

Nem vale muito a pena ficar se policiando feito um fanático: “Quanto mais perfeito por fora, mais demônios por dentro”, alerta-nos Freud. Conhecer-se em profundidade é um feito trabalhoso, complicado e nem tão eficaz! Sempre que lançamos alguma luz dentro de nós, ela trará à tona tão somente o tamanho da treva que nos envolve. Imagino que não há muito a ser feito, a não ser, talvez, aceitar com humildade a questão: “de fato, tenho consciência, mas funciono a maior parte do tempo no modo inconsciente”. Afinal, o CÉREBRO deve saber o que faz, pois não!…

Ribeirão Preto, 24 de outubro de 2021.

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