Caminhoneiros de Alpinópolis paralisam em protesto à alta do diesel

Diversos caminhoneiros de Alpinópolis estão paralisados, nesta segunda-feira (21), em protesto à atual política adotada pela Petrobras, que vem gerando constantes aumentos nos preços dos combustíveis. Mais de 100 veículos participam do manifesto e estão estacionados às margens da estrada que corta a zona urbana do município e no pátio de um posto de gasolina, situado próximo ao trevo de acesso à cidade. A Associação dos Caminhoneiros de Alpinópolis (ACA) resolveu aderir à manifestação, que acontece em todo o país, em reunião realizada no início da manhã de hoje.

Até o meio da tarde, mais de uma centena de caminhões, de Alpinópolis e outros lugares do Brasil, ocupava parte do estacionamento do Auto Posto Ventania e as margens da MG-446, nas imediações de uma das entradas da cidade. Uma barreira feita com pneus e galhos secos obstruía a passagem em meia pista, local onde os organizadores realizavam abordagens pacíficas e pediam que os caminhoneiros, que trafegavam pela via, interrompessem ali suas viagens. As exceções eram apenas para aqueles que levavam carga viva ou produtos perecíveis. Carros de passeio, ônibus e veículos de emergência também tinham livre passagem.

Segundo o presidente da associação, José Júlio de Oliveira, de 53 anos, a ação em Alpinópolis segue a mobilização que acontece em escala nacional e tem como objetivo exigir soluções rápidas por parte do governo, uma vez que a classe vem operando no limite já há algum tempo. “A diretoria da associação se reuniu na manhã de hoje e decidiu apoiar a greve nacional, pois não aguentamos mais a situação. Os preços que vem sendo cobrados pelo combustível, em razão das atuais políticas do governo, estão inviabilizando o trabalho de quem tem caminhão. Aqui em Alpinópolis o litro de diesel varia entre R$ 3,70 e R$ 4,00 e, na prática, esse valor consome o equivalente a 60% do que cobramos pelo frete, quando o máximo suportável seria 35% do total. Estamos no limite e exigimos que o governo retire parte dos impostos para que o preço diminua”, disparou o caminhoneiro.

Na semana passada, foram cinco reajustes diários seguidos. A escalada nos valores acontece em meio à disparada nos preços internacionais do petróleo. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de 8% no ano. O valor está acima da inflação acumulada no ano, de 0,92%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Petrobras, cuja atual política de preços repassa para os combustíveis a variação da cotação do petróleo no mercado internacional, para cima ou para baixo, diz que as revisões constantes podem ou não refletir no preço para o consumidor final e que isso dependeria, em última instância, dos postos de combustíveis. Os donos de postos, por sua vez, dizem que são tão vítimas das políticas públicas do setor quanto os caminhoneiros e estão, da mesma forma, operando no limite.

O empresário Leonaldo Cândido da Silveira, o Léo do Posto, proprietário do Auto Posto Ventania, disse que seu estabelecimento vem trabalhando no vermelho há cerca de três meses. Ele considera que a crise ora instalada é resultado do rombo causado pela corrupção na Petrobras e das políticas equivocadas do governo aplicadas no setor. “Engraçado o governo jogar para nós, simples revendedores, uma responsabilidade que, no final das contas, é dele próprio. Os donos de postos também sofrem os efeitos desta política perversa e estão perdendo fôlego financeiro. Essa política de preços, que acompanha o mercado internacional de petróleo, tem ocasionado oscilações desconexas em relação à realidade brasileira. Aqui em nosso estabelecimento há cerca de três meses estamos operando no vermelho e, se continuar assim, eu e meu sócio já resolvemos que vamos abandonar a atividade e tentar alugar o posto”, comentou.

No Sul de Minas também foram registradas paralisações em, pelo menos, outras cinco rodovias: Fernão Dias, BR-265, BR-491, MG-050 e BR-354. Os caminhoneiros pedem a retirada dos encargos tributários cobrados sobre o diesel. Também querem a isenção da Contribuição sobre Domínio Econômico (Cide) sobre a venda do óleo usado pelos transportadores autônomos.

Leave a Reply