
Em um diálogo travado entre duas crianças, uma pergunta à outra:
– O que faz seu pai?
A garotinha, filha de um artesão que expunha seus trabalhos na rua, responde orgulhosa:
– Esculpe, pinta, desenha…
E a primeira imediatamente retruca:
– E ele não trabalha?
A história pode parecer cômica, porém é um fato que ocorre com mais frequência do que podemos imaginar. É fruto da ausência de informação, de cultura. A culpada não é a criança desinformada e sim o sistema, algo cultivado na sociedade consumista moderna.
No entanto, a arte está presente no cotidiano, embora o cidadão comum muitas vezes não perceba e não disponha de meios para conhecê-la e apreciá-la. Algo interessante e que poderia ser adotado pelo poder público seria a introdução dos primórdios das artes plásticas na escola, o que seria fundamental para que a criança crescesse acostumada com o meio artístico, seja ele qual for.
O alpinopolense João Carlos Capooni é artista autodidata, sendo que a arte manifesta-se em sua vida desde a infância. A partir de 1985, por influência dos primos (também artesãos) Cleto e PC, resolve colocar a mão na massa e produzir suas obras.

A matéria prima utilizada por ele é o poliepóxido ou resina de epóxi (plástico termofixo que se endurece quando misturado a um agente catalisador) que é modelada e dá forma a magos, duendes, fadas e tantos outros objetos. Ao epóxi são mesclados diversos materiais (pedras, metal, tecidos) e, ao final, o resultado é uma obra com coloração bucólica, em geral, retratando a natureza, especialmente os chamados “seres elementais”.

O artista, que hoje divide residência entre Alpinópolis e São Tomé das Letras, relata que o objetivo central de seu trabalho sempre foi a promoção da cultura, ficando o lado comercial em segundo plano. Porém assume que o artesanato permitiu seu sustento por muitos anos e, por recursos oriundos dele, pôde adquirir o sítio onde atualmente exerce o ofício da agricultura.
“Atualmente não vivo mais do artesanato, mas sim da agricultura em um pequeno sítio que tenho em São Tomé das Letras. Sobre meu trabalho artístico, moldei cada peça com o intuito primordial de fazer arte, ficando o comércio como conseqüência. Vendi muitas peças e espalhei meu quinhão de cultura por todo lado”, diz João Carlos.

Decidiu interromper a carreira de artesão quando o material que utilizada para esculpir seus trabalhos, o epóxi, teve suprimido de sua fórmula o amianto, o que tornou a massa menos consistente e não permitia mais um resultado estético satisfatório. Atualmente está focado em sua propriedade rural em São Tomé das Letras, chamada Vargem do Rio do Peixe, e dedicado a espiritualidade baseada na teosofia, sendo membro ativo da Sociedade Brasileira da Eubiose.

