A Inteligência Artificial é um assunto que tem gerado muita controvérsia em todo o mundo. Mas, enquanto alguns participam de discussões barulhentas sobe o futuro da humanidade com a tecnologia, a estudante Laura Reis de Pádua, do nono ano do Ensino Fundamental do Instituto Educacional Padre Ubirajara Cabral, em Alpinópolis-MG, é uma testemunha do quanto a IA pode promover mudanças significativas sem alarde.
A redação dela, “A transformação silenciosa: como a inteligência artificial revoluciona a vida de uma criança com autismo e a família dela”, conquistou a segunda colocação na edição 2024 do EPTV na Escola. Em pauta, a relação do irmão, Lucas, com a IA.
“Cheguei ao título ‘transformação silenciosa’ porque a evolução e o desenvolvimento de Lucas, impulsionados pela Inteligência Artificial, ocorreram de maneira discreta e invisível para a sociedade. Enquanto muitos viam o uso das telas como uma simples distração, Lucas as utilizava para se alfabetizar e aprender de forma constante. Quando finalmente descobrimos o que realmente estava acontecendo, fomos surpreendidos e percebemos que, apesar de não ser perceptível externamente, nosso menino estava em um processo de crescimento. Tudo de forma silenciosa, mas profunda”.
Quando soube do tema do EPTV na Escola, a abordagem passou a ser óbvia para alguém que viu, bem de pertinho, a luta de Lucas. Para além disso, é possível encontrar, no texto, uma lista de ferramentas com IA que podem atuar de modo eficaz na vida de pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Destaque para o uso de aplicativos de comunicação alternativa, programas que ensinam habilidades sociais e dispositivos interativos para diversão e aprendizado.
“A abordagem e a temática da minha redação foram centradas em como a Inteligência Artificial pode ser uma ferramenta positiva e transformadora no desenvolvimento educacional e social de crianças autistas. Essas tecnologias criam um ambiente de aprendizagem seguro e estimulante, adaptado ao ritmo e às necessidades individuais de Lucas, respeitando suas dificuldades e proporcionando uma interação mais rica e personalizada.”
Apesar disso, não foi fácil organizar as ideias e assentar, com fluidez, as argumentações. Para isso, a professora Tatiane Modesto foi fundamental. “Ela não só me orientou ao longo de todo o processo de escrita, mas acreditou em mim de uma forma que me deu a confiança necessária para explorar todo o meu potencial. Desde o começo, ela me ensinou que uma boa redação não se resume apenas a escrever bem, mas a saber expressar ideias com clareza e a ter coragem para defender uma opinião.”
A jovem sempre gostou de ler e escrever. Seus livros preferidos são aqueles que abordam temas reais, como biografias. A relação dela com a IA, fora da convivência com o irmão, é voltada a pesquisas relacionadas ao contexto escolar.
Laura fala da “sensação inexplicável” com o segundo lugar no concurso. Conta que a primeira reação com a notícia foi o de surpresa, pois não esperava chegar tão longe. E, mais do que a conquista, diz ter sido gratificante ver que a mensagem de Inteligência Artificial inclusiva tenha chegado a tantas pessoas.
“Ao abordar a jornada de crianças autistas, destaquei os enormes desafios que muitas vezes elas enfrentam para se inserir em uma sociedade que não compreende ou não aceita suas diferenças. Elas acabam, de certa forma, sendo marginalizadas, como se o mundo não tivesse espaço para suas necessidades e formas de ser”.
No entanto, ao mostrar como a Inteligência Artificial pode ser uma aliada, a estudante acredita ter alertado para a construção de um futuro mais empático, em que as diferenças não sejam vistas como limitações, mas como características únicas, que merecem ser respeitadas e valorizadas.
Palavras lúcidas, que contribuem para quebrar estigmas, com os quais as pessoas com autismo sofrem, muitas vezes, também em silêncio.
Fonte: EPTV/Rede Globo de Televisão
