Alpinópolis registra fechamento de 38,34% de empresas no município

Avenida Governador Valadares é o local que detém a maior  concentração de atividades comercias da cidade de Alpinópolis
Avenida Governador Valadares é o local que detém a maior
concentração de atividades comercias da cidade de Alpinópolis

Números desanimadores apontam um período difícil para que um negócio seja mantido em nossa cidade e região. O número de extinções de empresas é considerado alto, sendo que na região 292 negócios foram findados este ano, o que representa 55,73% do total de empreendimentos constituídos que não deram certo. Na comparação com 2013, foram fechaos 46,51% dos negócios abertos. Os números são da JUCEMG (Junta Comercial do Estado de Minas Gerais) para o período de janeiro a agosto de 2014.

Na cidade de Alpinópolis ocorreu o fechamento de 38,34% dos empreendimentos e a ACIALP (Associação Comercial e Industrial de Alpinópolis) assinala que este é um problema nacional, mas que vem acontecendo com maior intensidade nas pequenas cidades  devido, principalmente,  à falta de planejamento tanto do empresariado quanto do poder público. Outros agravantes também são apontados pela entidade como a falta de experiência profissional e a atual conjuntura econômica do país, que é desanimadora. “Um conjunto de coisas contribuem para que essa queda na atividade empresarial esteja ocorrendo em Alpinópolis. Além das muitas dificuldades administrativas existentes, não podemos deixar de citar a alta carga tributária que sacrifica o empreendedor, a falta de capital de giro, a  ausência de análise elaborada antes de se investir no negócio e a incipiência do poder público”, esclarece o presidente Edson Miguel Pereira, o Disom.

Em nossa região, composta por 21 municípios, a maioria apresentou percentuais significativos de fechamento de empresas: Alpinópolis (34,38%); Bom Jesus da Penha (25%); Capetinga (38,4%); Capitólio (60%); Carmo do Rio Claro (44,4%); Cássia (33,3%); Fortaleza de Minas (33,3%); Itaú de Minas (58,3%); Jacuí (87,5%); Nova Resende (50%); São João Batista do Glória (85,7%); São José da Barra (42,8%) e São Tomás de Aquino (80%).

Há casos bem piores como, por exemplo, o da cidade de Pratápolis que fechou todos os negócios que foram constituídos neste ano. Por outro lado, três cidades no período de janeiro a agosto de 2014 apresentaram percentuais dentro da proporção de abertura/fechamento de empresas, sendo Delfinópolis (13,6%); Ibiraci (6,25%) e Guapé (21%), que tiveram os menores índices de extinção de novos negócios.

A ACIALP

Segundo a ACIALP existe uma grande dificuldade em unificar os micros e pequenos empresários  em torno da associação para que o conjunto ganhe força. Existe também o papel incipiente do poder públicos em relação às atividades empresariais e comerciais de qualquer localidade, assim como de Alpinópolis , que muitas vezes não é cumprido. “O poder publico  tem a obrigação de criar um ambiente  que conspire para o crescimento da economia do município. As microempresas sustentam 70% dos municípios brasileiros, entretanto de todas as cidades do Brasil apenas 400 regulamentaram a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (Lei Complementar 123/2006), que traz uma serie de benefícios à categoria. A importância desta legislação federal tem que  ser debatida com os gestores públicos municipais para que a questão sobre as vantagens de se aplicar a lei em licitações públicas seja levantada e, assim, fomentar as economias locais. Há grande necessidade de regulamentação dessa lei em Alpinópolis. Além disso é muito importante analisar números e entender quais os aspectos são principais responsáveis pela mortalidade das empresas de nossa região, para que se possa direcionar ações para minimizar estes índices e, conseqüentemente, gerar resultados  para nossa cidade”, comenta Disom.

INVESTIMENTOS PÚBLICOS EM ALPINÓPOLIS

É notório que muitos dos empreendimentos constituídos em nosso município (porque não dizer a maioria) são classificados como micro e pequenas empresas. Também é sabido que não há um planejamento por parte do poder público municipal para oferecer suporte a essa importante parcela geradora de emprego e renda, cujo desempenho é fundamental  para o desenvolvimento econômico e social local. A atual administração municipal tem demonstrado pouco interesse em fomentar o empreendedorismo em Alpinópolis, principalmente na atividade industrial para a qual a Lei de Orçamento de 2014 prevê destinação de míseros R$ 2 mil para todo o ano (cerca de R$ 167,00 por mês). Somente a título de comparação a Prefeitura Municipal gastou no mês de julho de 2014 o montante de R$ 2500,00 com foguetes, 25% a mais do que estava previsto para ser aplicado em todo o ano de 2014 no investimento e promoção da atividade industrial no município. Infelizmente não há previsão para uma melhora nestes investimentos por parte da prefeitura, pois o PPA (Plano Plurianual 2014-2017) também aponta cifras desanimadoras prevendo que o investimento nessa atividade, planejado para os próximos anos, sofrerá um aumento irrisório (2015 = R$ 2.130,00 / 2016 = R$ 2.268,44 / 2017 = R$ 2.415,90). Curioso é que o documento menciona  ações como “aquisição de terreno para implantação do parque industrial” e “infra-estrutura do parque industrial”  com investimento de apenas R$ 1000,00 em cada uma delas.

Importante ainda lembrar que o prefeito Julio Cesar Bueno da Silva, o Julio Batatinha (PTB), durante a campanha que o elegeu em 2012 registrou um plano de governo no TRE-MG no qual, entre outras coisas, fez a seguinte afirmação: “é preciso apoio e incentivo por parte da administração pública aos comerciantes, empresários e empreendedores locais, para que juntos possamos firmar parcerias em prol do desenvolvimento econômico e do bemestar social” (sic). Neste documento foram listados compromissos que, pelo menos até agora, não foram cumpridos.

A PREFEITURA

O Tribuna Alpina entrou em contato com a Prefeitura Municipal para comentar o assunto, mas até o fechamento desta edição não havia recebido nenhuma manifestação.

Leave a Reply