Alberto Gonçalves Freire, um nome que ficará eternizado na história de Alpinópolis como um dos mais notáveis administradores que a cidade já teve. Durante a década de 80, seu mandato como prefeito trouxe progresso, desenvolvimento e uma nova perspectiva para a comunidade local.
Antes de assumir a prefeitura, Alberto já havia exercido o cargo de vereador de 1977 a 1983, período em que também foi vice-presidente da mesa na Câmara Municipal. Sua trajetória no Legislativo foi marcada por dedicação e comprometimento com os interesses da população.
Posteriormente, em uma decisão que mudaria o rumo da cidade, Alberto se candidatou ao cargo máximo do Executivo e venceu as eleições municipais, sendo eleito prefeito para o mandato que se iniciou no dia 1º de fevereiro de 1983 e terminou em 31 de dezembro de 1988. Sua chapa, que tinha Gentil Cristóvão da Cunha como vice, venceu seus oponentes, Messias Orlando de Paula e Pedro Ribeiro Neto, por uma vantagem de 1.386 votos.
No exercício de sua função, Alberto também teve participação ativa na criação da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (Ameg), da qual foi um dos prefeitos fundadores e chegou a assumir o cargo de 2º vice-presidente. A Ameg, então composta por apenas nove municípios, foi constituída em 30 de novembro de 1984 com o objetivo de minimizar a dependência das esferas superiores e promover o desenvolvimento conjunto das cidades associadas.
REALIZAÇÕES
Dentro de seu mandato, Alberto empreendeu diversas obras que promoveram uma grande transformação da cidade, como a instalação de escolas municipais na área rural, cobrindo 100% do município, incluindo o então distrito de São José da Barra.
Também foi nesse período que aconteceu a vinda para Alpinópolis de serviços essenciais. Um deles era prestado pela antiga estatal Telecomunicações de Minas Gerais, a Telemig, que chegou para transformar o arranjo de telefonia da cidade, que até então funcionava de modo instável, e implantou o sistema DDD, ampliando o acesso da população.
Outra importante ação foi a mudança da rede elétrica e de iluminação pública, transferindo os serviços para a Companhia de Energia de Minas Gerais, a Cemig, e acabando com a o sistema já arcaico então oferecido pela extinta CGE (Companhia Geral de Eletricidade).
Também se destaca a instalação do novo sistema de tratamento e abastecimento de água, por meio de um contrato com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa. Essa ação foi essencial para atender às necessidades crescentes da população, que demandava melhorias urgentes nesse serviço primordial.
A infraestrutura urbana passou por transformações significativas, com muitas ruas e praças sendo pavimentadas, merecendo destaque o calçamento em torno da Praça Santa Efigênia e da Praça do Rosário. Também houve um aumento considerável na rede de esgoto, o que contribuiu para a redução do problema de insalubridade pública. O sistema de saúde igualmente foi alvo de melhorias, com a criação de postos e ambulatórios para melhor servir a população.
A gestão não negligenciou a zona rural, com muitas estradas sendo modificadas e abertas para facilitar o acesso às comunidades rurais. Por fim, várias pontes foram construídas, tanto no campo quanto na cidade, melhorando a mobilidade e conectividade do município.
Tamanha dedicação e compromisso com a administração pública levaram o jornal Correio de Recife, da capital pernambucana, a reconhecê-lo nacionalmente, conferindo-lhe o título de ‘Prefeito de Expressão Nacional’, em 1987. Tal honraria foi concedida em razão de seus incontestáveis méritos administrativos e humanos, bem como por sua ativa participação no desenvolvimento do município. Alberto Gonçalves Freire recebeu o Diploma de Honra ao Mérito e o Troféu Conde de Boa Vista, um testemunho justo do reconhecimento de seu trabalho.
A Câmara Municipal também prestou uma homenagem especial a Alberto no dia 23 de dezembro de 1987, em reconhecimento aos serviços prestados ao município durante seu mandato. Os vereadores ressaltaram sua abnegação, seu zelo para com a população alpinopolense e sua habilidade em governar para o bem coletivo.

REGISTRO HISTÓRICO
Conforme observações, gentilmente adiantadas pelo professor Dimas Ferreira Lopes (contidas em sua futura publicação denominada ‘História de Alpinópolis – Parte II’), essa administração representou um grande avanço devido a investimentos robustos feitos na infraestrutura municipal, como pavimentação de ruas, reestruturação da malha de estradas rurais e implantação de serviços essenciais de energia elétrica, tratamento e distribuição de água e telefonia.
Segundo ele, o trabalho realizado na área de obras urbanas, sobretudo no sistema de esgotamento sanitário, são um exemplo clássico da eficiência desse mandato. “De acordo com um estudo feito pelo engenheiro José Ferreira Lopes, Alberto iniciou sua administração com 9.372 metros de rede coletora de esgoto implantados nas ruas de Alpinópolis, o que atendia apenas 33% dos moradores. Visando resolver esses problemas na área de saúde pública, durante sua gestão, foram executados 18.850 metros de rede coletora de esgoto. Isso fez com que, praticamente, toda a população urbana passasse a ser atendida, colocando a cidade, à época, em uma situação de alta relevância no cenário nacional. É importante notar que a rede construída por todos os prefeitos durante 50 anos em suas gestões, foi duplicada pela de Alberto em apenas 6 anos”, apontou o professor.
Outro detalhe levantado pelo escritor foi sobre o aspecto conciliador desse prefeito, que soube dialogar com os diferentes. “Na continuação do livro de meu pai, apresentarei duas análises positivas sobre a ‘Gestão Alberto’, uma da amiga, mas adversária política, a saudosa professora Izabel Carvalho Pereira (Dona Bela) e outra de Irene Gonçalves Brasileiro Freire, aliada política e que foi secretária de Educação Municipal durante o mandato. Este foi o Alberto, um conciliador”, salientou.
DE QUEM ESTEVE JUNTO
Walt Disney disse, certa feita, que “você pode sonhar, criar, projetar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo, mas são necessárias pessoas para fazer do sonho uma realidade”. A verdade é que ninguém faz nada sozinho e, no mandato de Alberto, não seria diferente. Ele contou com uma equipe enxuta, porém altamente capacitada, que lhe assegurou o suporte necessário para o desempenho de um trabalho deveras eficiente. Ao seu lado, o prefeito teve nomes como José Samoel de Oliveira Reis, José Vilela de Morais, Sebastião Tadeu Sarno, João Batista Pereira, entre outros.
O engenheiro José Vilela, que acompanhou Alberto no decorrer de todo o mandato, fez questão de focar em qualidades pessoais do prefeito, que, segundo ele, foi um homem honesto e dotado de grande perspicácia para escolher bem a sua assessoria. Isso permitiu que sua gestão estabelecesse bem as prioridades e realizasse exatamente o que a cidade precisava naquele momento. “Por isso ainda é lembrado, nos dias de hoje, como um dos melhores prefeitos que Alpinópolis já teve. Em sua gestão foram levadas a cabo ações prioritárias, como a construção de uma extensa rede de esgoto e uma importante reestruturação da malha de estradas vicinais. Também foi sob seu comando que a cidade se modernizou na prestação de serviços básicos e passou a contar com abastecimento adequado com água tratada e uma melhor distribuição de energia elétrica residencial e iluminação pública. Além disso, foram construídos o terminal rodoviário municipal e um espaço para abrigar a companhia que veio aprimorar o sistema de telefonia local. A cidade se transformou nesses 6 anos”, afirmou.

Samoel Reis, advogado que ocupou o cargo de assessor jurídico durante a gestão, disse que Alberto pode ser colocado no rol dos grandes nomes da política municipal alpinopolense. “Homem simples, leal, afável e cativante, com sua fala bailarica e apreciável, o seu jeito tão peculiar de ser, próprio de todos da linhagem de tão estimada, tradicional e respeitada família. Alberto, como poucos, soube com maestria conduzir a administração municipal por um mandato de 6 anos, conciliando e serenando as diferenças políticas locais, imprimindo uma gestão participativa, já que ouvia muito, delegava e dividia as responsabilidades com aqueles que escolheu para estar ao seu lado no dia-a-dia na governança do município”, disse.
O advogado também fez menção à implantação de um conjunto notável de obras e realizações de Alberto que contemplaram as demandas e necessidades tanto da cidade como da zona rural, de onde ele saiu para assumir os destinos de Alpinópolis. “Devemos, pois, exaltar e reverenciar sempre a figura do homem público Alberto Gonçalves Freire, tanto por sua habilidade política, como igualmente pelas notáveis realizações que impulsionaram e alavancaram o desenvolvimento e o progresso de Alpinópolis”, concluiu.
INSPIRAÇÃO
O atual mandatário alpinopolense, Rafael Freire, descreveu como a visão vanguardista de Alberto influenciou suas próprias ações à frente da administração municipal. “É com grande admiração que hoje, como prefeito de Alpinópolis, expresso minha sincera gratidão ao ex-prefeito Alberto Gonçalves Freire. Ambos assinamos Freire, é uma coincidência, mas encontramos uma conexão que transcende o sobrenome. Reconheço que me sinto inspirado por sua audácia e visão vanguardista na administração pública. Compartilhamos um estilo arrojado de gestão, participativa e de transparência, valores que têm guiado minhas ações à frente da prefeitura. Ao olhar para o passado, encontro em Alberto um legado marcante, que moldou positivamente o futuro de Alpinópolis. Suas realizações ecoam até hoje, e é com esse mesmo espírito inovador que continuo trabalhando para impulsionar o progresso e o desenvolvimento de nosso município”, declarou.

LEGADO
Alberto Gonçalves Freire foi, sem dúvidas, um líder visionário e dedicado, que deixou um legado de progresso e transformação para Alpinópolis. Sua gestão exemplar e suas realizações marcantes são, ainda hoje, motivo de orgulho para a cidade e servem como inspiração para as futuras gerações de administradores públicos.
Alberto faleceu em 10 de maio de 2015 deixando a esposa, Dona Nair de Avelar Gonçalves, filhos e netos. Seu corpo foi sepultado no jazigo de sua família, no Cemitério Municipal de Passos.

