SER ALPINÓPOLIS OU SER VENTANIA?

Por Ricardo Lima

A história de nossa terra é repleta de causos, sendo alguns hilários, já outros vergonhosos. Mas o que mais me deixou surpreso, dia deste, foi observar atentamente a diferença entre dois gêneros de cidadãos que aqui residem, quando concluí que existe, sim, uma dicotomia entre seus habitantes, que gera um abismo de personalidades.

Quem nasceu em Alpinópolis vive dizendo que “aqui não tem nada para fazer”. Quem nasceu em Ventania, pelo contrário, levanta cedo, precedendo o nascer do sol, tomando um bom café quentinho e logo parte para seu labor, sendo que na maioria das vezes somente volta para casa ao entardecer, e o dia corre tanto, mas tanto, que nem dá para perceber que ele se foi.

Quem nasceu em Alpinópolis, vive repetindo incansavelmente que seu sonho é sair desta cidade. Já para quem nasceu em Ventania, este lugarzinho encravado entre serras é a morada dos deuses na terra. Aqui ainda as pessoas são honestas, humildes e, principalmente, companheiras. Ficar um minuto longe gera um sentimento de tristeza e muita agonia.

Quem nasceu em Alpinópolis, vive criticando nossa cidade a todo momento e por qualquer motivo. Agora, quem nasceu em Ventania, sabe que problemas são comuns em qualquer lugar, mas que certamente podem ser superados, bastando um pouco de vontade e perseverança. Despreza as criticas negativas, pois, sabe que as dificuldades devem ser encaradas de frente e de cabeça erguida. Falar mal, sem ao menos fazer sua parte para sanar os problemas corriqueiros, é como dar um tapa na cara de uma população que acredita na força da transformação e sabe que tudo pode ser mudado.

Quem nasceu em Alpinópolis, valoriza a todos e tudo que vem de fora. Na verdade, pensa que gente de outras cidades são melhores sempre. Já quem nasceu em Ventania sabe, que aqui, possuímos pessoas dotadas da maior e mais bela virtude que o ser humano pode possuir: a dignidade. Lembrando que ser digno é obter merecimento ético por ações pautadas em justiça, honradez e honestidade. E pense bem… Será que “alguém de fora” teria o amor em nossa cidade como nós, que aqui vivemos, dia após dia, com nossos filhos, pais e irmãos, ou seja, com toda nossa família?

Para quem nasceu em Alpinópolis, não existe raiz alguma que o liga à nossa cidade. Mas, quem nasceu em Ventania, mesmo de longe, mantém aqui seus pensamentos. Na verdade, o morador de Ventania pode não estar aqui fisicamente, mas sempre está espiritualmente. Suas lembranças são deste lugar sagrado, são de suas pessoas justas e acolhedoras. Mesmo morando em outro lugar, sabe que é quase impossível permanecer muito tempo longe e, quando por aqui chega e vê a pontinha da Serra da Ventania, o sentimento é tão intenso que os olhos chegam a verter em lágrimas.

Mesmo de longe, ao ouvir músicas marcantes como “Entre a serpente e a estrela”, “Meiga senhorita” ou qualquer uma do Abba, logo pensa em sua cidadezinha. Por fim, entendo que, na verdade, não é necessário ser nascido aqui para ser filho de Ventania. O que difere um alpinopolense de um ventaniense é o sentimento cravado em seu coração. E a escolha é nossa…

ricardo_lima
Dr. Ricardo Alexandre Lima
Advogado e Professor



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One Response to SER ALPINÓPOLIS OU SER VENTANIA?

  1. Mauricio Vieira disse:

    Olá! Boa tarde.

    Primeiramente, gostaria de salientar que nada tenho contra os habitantes de Alpinópolis (ou Ventania, caso prefira). Mas algumas coisas no texto me chamaram a atenção, especialmente vindo de um advogado.

    Pra começar, qual o seu conceito de “não ter nada pra fazer”? Aposto que tanto aqueles que você alcunha como Alpinopolense quanto os Ventanienses tem seus afazeres. Ou o que você quer fazer acreditar é que os primeiros são preguiçosos que nada mais fazem além de difamar a cidade, enquanto os segundos, absortos em seus afazeres, não tem tempo pra enxergarem os problemas da cidade, numa reprodução moderna da fábula “a cigarra e a formiga”. É isso?

    Aliás, será que “fazer vistas grossas” aos problemas da cidade é o melhor para que os mesmos sejam solucionados? Problemas todas as cidades tem, desde São Paulo (maior município do Brasil) até Santa Cruz de Minas (menor município do Brasil), cada uma com suas proporções. Se é verdade que tem tanto amor pela cidade quanto você declara, deveria se valer de seus status privilegiado na sociedade e trabalhar para que Alpinópolis (ou Ventania, como quiser) se torne melhor, e não fechar os olhos para os problemas, pois isso não farão com que desapareçam, apenas corroborará pra que aumentem.

    Quanto a valorizar o que vem de fora, gostaria de saber quantas fábricas de celulares, computadores, ou mesmo quantos hectares do município são utilizados para o cultivo e produção de produtos essenciais. É de um ufanismo que beira a cegueira acreditar que se é uma ilha no universo, e que não precisamos do que vem de fora. Perdoe-me se não foi isso o que quis dizer, mas foi a impressão que deixou…

    E pra finalizar, como dar credibilidade a um texto que, partindo de tantas premissas falsas, e algumas até mentirosas, tenta-se passar por verdadeiro? Se você cobrir o lobo com pele de cordeiro, ele continuará sendo um lobo…