Reunião com presidente da Copasa busca solução para problema do esgoto em Alpinópolis

Foto: André Rodrigues

Foto: André Rodrigues

Mais um passo foi dado na busca de uma solução para o impasse criado em função da concessão dos serviços de esgotamento sanitário à Copasa em Alpinópolis. Cidadãos reclamam da qualidade e abrangência dos serviços prestados, assim como das altas tarifas cobradas pela empresa, o que vem causando desconforto e comprometendo o orçamento de muitas famílias do município. Diante da questão, o deputado estadual Emidinho Madeira (PSB) se reuniu com a presidente e diretores da empresa, em Belo Horizonte, com a finalidade de discutir possíveis saídas para esse problema que, inclusive, atinge outras cidades da região.

O assunto vem causando polêmica em Alpinópolis desde a assinatura do convênio entre a Copasa e a prefeitura, formalizado no ano passado pelo ex-prefeito Júlio Cesar Bueno da Silva, o Júlio Batatinha (PTB). O novo contrato, que permitirá a exploração dos serviços de água e esgoto no município pelos próximos 30 anos, resultou em um aumento superior a 90% na conta do consumidor local. Em face das muitas denúncias de que o atendimento não vem sendo executado adequadamente e de que possíveis ilegalidades teriam ocorrido no processo de cessão à concessionária, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) foi instalada pela Câmara Municipal para investigar o caso. O relatório produzido pelos vereadores, contendo as supostas irregularidades, foi enviado à promotora Larissa Brisola, representante do Ministério Público na comarca.

Um parecer emitido pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Agua e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG), em resposta a indagações do promotor Amauri Artimos da Matta, coordenador do Procon-MG, informa que 46% do esgoto coletado em Alpinópolis ainda é lançado in natura no meio ambiente, sendo que os 54% restantes tem seus efluentes submetidos ao tratamento antes do lançamento final no Ribeirão Conquista.

O documento indica também que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade tem alcançado, neste ano de 2017, eficiências que suplantam 88% na remoção de matéria orgânica. Sobre a cobrança pelos serviços de esgoto a agência esclarece que as tarifas são calculadas em proporção ao consumo de água, sendo que, desde o dia 30 de junho, o percentual cobrado na tarifa de esgoto dinâmico coletado (EDC) diminuiu para 43,75% em relação à tarifa de água. Já no caso da tarifa de esgoto dinâmico tratado (EDT) esse percentual passou a 92,5%. A Arsae afirma que a cobrança por estes serviços em Alpinópolis encontra-se, em uma análise preliminar, conforme o estabelecido pela legislação do setor.

O relatório ainda aponta que Alpinópolis conta atualmente com 6.324 ligações da Copasa, o que corresponde a um alcance de 90,42% da população urbana. Deste total, tomando como base o mês de julho/2017, 78,63% dos contribuintes paga pelo serviço de coleta e tratamento (EDT) enquanto 21,36% paga apenas pela coleta (EDC).

Diante do problema que vem ocorrendo em Alpinópolis, assim como em outros municípios da região, o deputado Emidinho Madeira se reuniu, nesta terça-feira (07), na sede da empresa, em Belo Horizonte, com a presidente Sinara Meireles e os três diretores operacionais Frederico Delfino, Rômulo Perilli e Gilson Queiroz. Na oportunidade foram discutidas as diversas reclamações encaminhadas por vereadores das cidades de Alpinópolis, Carmo do Rio Claro, Nova Resende e Conceição da Aparecida e vão desde esclarecimentos sobre reparos em obras nas ruas nas quais a Copasa realiza trabalhos (onde as empresas terceirizadas não recuperam as vias), passando por problemas nos sistemas de captação, capacidade dos mananciais e outorgas, até questionamentos sobre a melhoria na infraestrutura de abastecimento. Porém, as reivindicações mais incisivas dizem respeito às tarifas que estão sendo cobradas tanto no abastecimento de água como na captação e tratamento de esgoto.

“Nós temos acompanhado de perto as diversas reclamações por parte dos moradores das cidades de Alpinópolis, que colocou a pouco tempo a estação de tratamento para funcionar, de Carmo do Rio Claro, Nova Resende e Conceição da Aparecida. Fizemos um convite ao diretor Frederico, que responde pela nossa região, e ele prontamente se dispôs a visitar essas localidades para ver de perto o que está acontecendo. A gente espera uma solução porque quem está sofrendo com isso tudo isso é a população”, pontuou o deputado.

Em Alpinópolis a polêmica se intensificou a partir de janeiro de 2017, quando a Copasa passou a cobrar uma tarifa pela coleta e tratamento de esgoto em um percentual superior a 90% do valor pago pelo fornecimento de água. O que muitos reclamam é que estão pagando um valor exorbitante por um serviço que sequer vem sendo oferecido adequadamente. Segundo informações fornecidas pela Copasa durante a reunião com o deputado, existem diferentes maneiras de se executar a cobrança. É possível acontecer, por exemplo, de uma mesma rua ter as tarifas diferentes porque um morador pode ter seu esgoto captado e tratado e o outro não, devido a posição de cada residência. “A visita do diretor da empresa servirá exatamente para esclarecermos todas as dúvidas”, disse o parlamentar.

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