Representantes de Alpinópolis participam de reunião sobre segurança na ALMG

Vereador Luiz Paiva exibe foto da garotinha Raíssa durante a reunião na ALMG

 Luiz Paiva exibe foto de Raíssa durante a reunião na ALMG

Autoridades de diversas cidades mineiras compareceram, no último dia 03 de novembro, a uma audiência promovida pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para discutir os inúmeros ataques a caixas eletrônicos ocorridos em municípios do interior, tipo de crime que começou a se disseminar no âmbito estadual há cerca de quatro anos.

Mais de mil casos dessa natureza de crime foram registrados em Minas entre fevereiro de 2011 e setembro de 2015 e, desse total, 90% aconteceram com a detonação de explosivos. A informação foi fornecida pelo major PM Marley Wallace Moreira, chefe da seção de operações da Diretoria de Apoio Operacional da Polícia Militar. Entre os desafios a serem enfrentados para resolver o problema, o major citou a falta de efetivo policial, a extensa malha rodoviária, que, segundo ele, facilita a entrada e saída nas divisas com outros estados, além das deficiências e da falta de investimentos nas instituições bancárias no que se refere à questão de segurança nesses locais.

Alvo de três explosões, somente durante este ano, o município de Alpinópolis foi representado na audiência pelos vereadores José Acácio Vilela (PSDB), Luiz Paiva (PRTB) e Jaqueline Rocha (DEM) e estiveram também presentes o ex-prefeito Edinho do Osvaldo (DEM) e o ex-vereador Tião Neto (DEM).

Durante a reunião o vereador Luiz Paiva usou da palavra e cobrou soluções para a cidade que, segundo ele, está entre as mais violentas do Estado. Para ilustrar a situação do município, ele exemplificou que a cadeia da cidade abriga 40 presos, sendo estes vigiados à noite por apenas um policial. O parlamentar ainda citou o caso da tragédia ocorrida com a garotinha Raíssa, que faleceu durante o último assalto a banco em Alpinópolis.

Ex-prefeito Edinho do Osvaldo e vereadora Jaqueline Rocha

Ex-prefeito Edinho do Osvaldo e vereadora Jaqueline também discursaram na ALMG

A vereadora Jaqueline Rocha foi enfática ao reivindicar que fossem cumpridas promessas feitas pela segurança em Alpinópolis, notadamente o caso da cadeia pública local, para a qual havia um compromisso de que seria retirada do centro da cidade e sua administração seria transferida para a Subsecretaria de Administração Prisional (SUAPI), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). Também cobrou a implantação de sistemas de monitoramento por câmeras de segurança no município por meio do programa estadual denominado “Olho Vivo”.

O ex-prefeito Edinho do Osvaldo aparteou o discurso do deputado Cabo Júlio (PMDB) que discorria sobre a falta de efetivo policial no Estado. Em sua fala o deputado disse ser este um grave problema nas cidades mineiras e que, em muitos casos, não se consegue suprir a demanda existente. Em seu aparte o ex-prefeito lembrou as dificuldades que Alpinópolis enfrenta há muito tempo, não somente com o efetivo deficitário, mas também com os problemas causados pela falta de um delegado de plantão no município, o que obriga o deslocamento da PM até Passos sempre que a situação exige, prática que acaba por diminuir o policiamento ostensivo, principalmente durante os finais de semana.

Autor do requerimento para a reunião, o deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB) disse que a preocupação com a segurança nos municípios do interior é um problema antigo. Ele citou uma série de casos em municípios mineiros que sofrem com roubos a bancos e caixas eletrônicos, assaltos, invasão de casas e fazendas, roubos de gados, entre outros. “Há uma omissão do poder público em proteger o cidadão”, disse.

Antônio Carlos Arantes foi o autor do requerimento para realização da reunião Foto: Ricardo Barbosa/ALMG

Antônio Carlos Arantes foi o autor do requerimento para realização da reunião
Foto: Ricardo Barbosa/ALMG

Diante dos dados e situações relatadas por autoridades, o deputado Sargento Rodrigues (PDT), presidente da Comissão de Segurança da ALMG, reconheceu que o cenário não é nada animador. Ele criticou a redução de gastos na área de segurança pública do atual governo, fazendo um comparativo com números do ano passado. Segundo o parlamentar, dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) mostram que, em 2014, o Estado gastou com custeio nessa área R$ 358 milhões, contra R$ 214 milhões neste ano.

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