“Remendos” com massa asfáltica desagradam população

Trecho que ficou conhecido como "Tobogã da Dona Indá"

Trecho que ficou conhecido como “Tobogã da Dona Indá

Uma ação que vem gerando polêmica, desde o seu início em meados de novembro do ano passado, são os “remendos” feitos com massa asfáltica sobre os bloquetes de concreto em várias ruas avariadas de Alpinópolis. Em pontos espalhados pela cidade a prefeitura vem executando esse serviço que divide as opiniões dos cidadãos, porém sendo criticado pela grande maioria, segundo pôde averiguar a reportagem do Tribuna Alpina.

O que vem rendendo comentários é o fato do Departamento Municipal de Obras Públicas (DEMOP) estar fazendo os consertos dessa forma, quando o ideal (e correto) seria seguir a técnica padrão para reparação desse tipo de calçamento, ou seja, retirar o bloquete, fazer a reposição do colchão de areia e recolocar a peça. Esse procedimento apresenta custo reduzido e mantém a boa estética das vias públicas ao contrário dos “remendos” que demandam a compra de CBUQ (massa asfáltica) e comprometem o visual do desenho lógico e geométrico dos bloquetes.

Massa asfáltica se solta com movimentação dos bloquetes e "remendos" tem pouca durabilidade.

Massa asfáltica se solta com movimentação dos bloquetes e “remendos” tem pouca durabilidade.

Além da estética, também vem sendo contestada a durabilidade dessas reparações feitas com CBUQ, que parece não ser das mais longas. Em menos de três meses os “remendos” já precisaram ser refeitos em diversos lugares. A curta permanência da massa asfáltica sobre os bloquetes poderia ser explicada pelo natural movimento das peças de concreto do calçamento o que causaria rachaduras e posterior entrada de água na massa, provocando sua rápida deterioração.

Os bloquetes de concreto, também conhecidos pelo nome de pavimento ecológico, são altamente recomendáveis para calçamento de ambientes urbanos devido a suas características que proporcionam boa permeabilidade, permitindo absorção de parte do líquido pelo solo. Isso evita um grande volume de água correndo sobre as ruas, o que não acontece em trechos pavimentados com asfalto. Ações como a feita pela prefeitura na Rua Dona Indá, por exemplo, onde praticamente meia pista foi coberta com CBUQ na extensão entre a Praça Manoel Cabral e a Rua Espírito Santo, compromete a absorção da água e pode provocar, em caso de chuva forte, uma enxurrada volumosa que descerá encontrando pouca resistência rua abaixo, causando estragos significativos. Esse trecho foi jocosamente apelidado por alguns moradores como “Tobogã da Dona Indá”.

O CIDADÃO

A moradora do bairro Bela Vista, Vera Czubinski, critica duramente esse tipo de medida da prefeitura dizendo desaprovar os tais “remendões” que estariam causando má impressão aos visitantes e causando poluição visual aos moradores. “Sou totalmente contra esses ‘remendões’ que estão deixando a cidade feia, tanto aos olhos de quem vive aqui em Alpinópolis, quanto aos dos que vêm de fora. Em minha opinião, ao invés de trazer melhorias, isso só empobrece o visual da cidade. Alpinópolis é um lugar que possui grande potencial turístico, que para ser desenvolvido demanda investimentos na estética urbana. Medidas como essa apenas destroem o que já foi construído”, desabafa a cidadã.

Para José Gilberto Freire, comerciante residente na Rua Dona Indá, as coberturas com asfalto resolveram parcialmente o problema dos buracos nas ruas, mas ainda não é possível avaliar se, de fato, o resultado será duradouro. Especificamente sobre o maior de todos os “remendos”, o feito na rua onde reside, disse que depois que jogaram o asfalto ainda não choveu e então não há como dizer se o problema de danos causado pelas águas pluviais poderá ser evitado. “Em curto prazo parece que o problema dos buracos foi solucionado, mas não dá para negar que o ‘remendo’ prejudicou a aparência da rua, deixando o visual desigual. Já que resolveram jogar o asfalto deveriam então ter feito na rua inteira e não só em uma parte. Para ver se o problema dos estragos que são causados pelas chuvas foi resolvido, precisamos primeiro esperar cair uma chuva forte para depois poder opinar”, declarou cauteloso o morador.

OS GASTOS COM TAPA-BURACO

De acordo com o Portal da Transparência da Prefeitura de Alpinópolis, a administração gastou, entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014, mais de R$ 225 mil com operações tapa-buraco que envolvem o uso de massa asfáltica. Segundo verificado no documento firmado entre a prefeitura e a empresa contratada para realizar os serviços, o objeto, previsto na cláusula primeira do Contrato Administrativo 103/2013, consiste no seguinte: Execução de Tapa buraco com aplicação de pintura de ligação e CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado Quente), faixa C, do DENIT” nas ruas asfaltadas do município pela Prefeitura Municipal de Alpinópolis/MG, conforme quantitativos constantes no Anexo I desse documento.

Ainda conforme o contrato, a prefeitura paga à empresa o valor de R$ 402,00 por tonelada de CBUQ e R$ 1,50 por m² de pintura de ligação. Cruzando os dados do montante gasto com a operação tapa-buraco e os valores pagos pelo material, é possível concluir que já foram jogadas sobre as ruas de Alpinópolis, pelo menos, 600 toneladas de massa asfáltica.

A SOLUÇÃO

Como já mencionado, os reparos nessa natureza de calçamento são bem simples, consistindo basicamente em retirar o bloquete, ajustar o colchão de areia e reassentar o mesmo bloquete. Porém, a palavra de ordem para evitar essa classe de problemas é prevenção. Em uma cidade construída em cima de relevo montanhoso, como é o caso de Alpinópolis, é fundamental que as vias públicas sejam dotadas de um bom sistema de captação de águas pluviais, as conhecidas galerias. A solução definitiva para evitar danos a calçamentos com bloquetes de concreto seria, portanto, um bom planejamento e construção dessas galerias nas ruas, principalmente nas mais íngremes. Exemplo clássico da eficiência dessa medida é a Rua Professor Telles, que foi pavimentada há mais de 40 anos durante o mandato de Antônio José de Freitas, onde foram implantadas galerias de forma adequada. Essa via permanece intacta há mais de quatro décadas, mesmo em face das fortes chuvas que, em outras ruas, provocam sérias avarias nos calçamentos.

A PREFEITURA

A Prefeitura Municipal de Alpinópolis foi contatada por nossa equipe, mas optou por não comentar a matéria.




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