QUEIMADAS E TEMPO SECO CASTIGAM ALPINÓPOLIS

Coluna de fumaça indica a presença do incêndio, provavelmente iniciado em função de fagulhas oriundas de fogos de artifício queimados no 12 de outubro.

As discretas chuvas que caíram sobre Alpinópolis nos últimos dias não foram suficientes para sanar os efeitos do forte calor e do clima seco que castigaram não só a região, mas todo o país neste outubro. Um agravante, diretamente associado aos problemas de temperatura e umidade, é o efeito das queimadas. Até o dia 20 de outubro foram registrados na região mais de 130 focos de incêndios em vegetação, número relativamente pequeno se levado em consideração os de todo o estado de Minas Gerais, que alcançaram cerca de 13 mil. De acordo com a 2ª Companhia do Corpo de Bombeiros de Passos, a quantidade de registros em 2014 é um pouco menor que em 2013, porém a área atingida pelo fogo é bastante superior, devido à estiagem. A corporação ainda esclarece que, infelizmente, boa parte destas queimadas é provocada propositalmente, seja pelos próprios donos de algumas propriedades rurais ou por vândalos. Outro fator que contribuiu bastante para a ocorrência dos incêndios foi a queima de fogos de artifício, prática muito comum em Alpinópolis e redondezas.

As propriedades rurais são singularmente fustigadas pelas chamas e, em muitas fazendas e sítios, os prejuízos são enormes. O caso mais grave de queimada em vegetação na região foi detectado na área correspondente à Usina Itaiquara de Passos, causando danos consideráveis. Em Alpinópolis houve registro de incêndio no sítio de Tarcísio Pimenta de Paula, o Tarcísio do Kurika, localizado nas redondezas da zona urbana do município, próximo à “Curva do Abdala”. Segundo o proprietário, o fogo possivelmente começou de forma criminosa, sendo provocado propositalmente por alguém com má intenção. “Tudo indica que o incêndio foi provocado, sendo que  alguém colocou fogo no pé da serra, perto da rodovia na “Curva do Abdala”. As conseqüências foram desastrosas e eu perdi bens materiais, porém essas coisas podem ser adquiridas novamente. Mas e as seriemas, quatis e outros animais que sempre rondam por lá e provavelmente morreram queimados? É muito triste. Essa pessoa que colocou o fogo devia voltar ao local e ver a desgraça ocorrida”, desabafou.

Destruição de patrimônio no sítio Alto da Colina,  propriedade de Tarcísio do Kurika.
Destruição de patrimônio no sítio Alto da Colina,
propriedade de Tarcísio do Kurika.

Em Alpinópolis, apesar da ausência de registros oficiais com números precisos, os focos de incêndio, principalmente dentro da zona urbana e arrabaldes, puderam ser testemunhados pela população com facilidade. Densas colunas de fumaça e vigorosas chamas nas serras que circundam a sede do município passaram a ser imagens comuns durante os últimos tempos. Além do dano ambiental, essas queimadas trazem grandes prejuízos para a saúde da população, uma vez que considerável quantidade de fumaça é levantada e inalada pelas pessoas. Há também o problema da fuligem que recai sobre as ruas, estabelecimentos comerciais e residências provocando sujeira e desconforto aos moradores.

O maior número de incêndios sobrevindos em um mesmo dia na cidade pôde ser percebido no feriado de 12 de outubro, quando há a celebração católica da Padroeira do Brasil, data que em Alpinópolis é comemorada tradicionalmente com muitos fogos de artifício disparados por volta do meio-dia. Nem mesmo as advertências dadas pelos padres durante as missas celebradas na manhã daquele domingo, pedindo extremo cuidado e moderação aos fiéis no momento de soltar os foguetes, resultaram suficientes para impedir as atitudes descomedidas de alguns que, provavelmente, foram os responsáveis pela deflagração de cinco focos de incêndio visíveis em vários pontos município.

FOGOS DE ARTIFÍCIO

A soltura de fogos de artifício, devido às características da atividade que podem ocasionalmente provocar incêndios,  causar poluição sonora e tóxica e ameaçar a segurança de quem os manuseia; é controlada por legislação específica, que limita seu uso. Em Alpinópolis essa ação é regulamentada pela Lei Complementar 023/2003, em vigência desde 22 de abril de 2003. Infelizmente é fácil chegar à conclusão de que essa lei “não pegou” por aqui, sendo corriqueiro observar no município um uso imoderado de fogos, sem nenhum tipo de fiscalização por parte do poder público que, a propósito, é um de seus praticantes. Para tudo se solta foguete em Alpinópolis, seja com escopo de chamar a atenção da população para as aquisições patrimoniais do Executivo, em função de comemorações por êxitos eleitorais ou esportivos, em eventos particulares e festejos tradicionais da cidade.

Coluna de fumaça indica a presença do incêndio, provavelmente iniciado em função de fagulhas oriundas de fogos de artifício queimados no 12 de outubro.
Colunas de fumaça indicam a presença do incêndio, provavelmente iniciado em função de fagulhas oriundas de fogos de artifício queimados no 12 de outubro.

Essa lei municipal, chamada Código de Posturas, dispões sobre as medidas de polícia administrativa do município no que se refere a higiene, ordem pública e funcionamento dos estabelecimentos comerciais e industriais, além da relação entre o poder público local e os munícipes. No capítulo VIII da referida lei, que trata especificamente do tema “Inflamáveis e Explosivos”, podemos ver que o inciso I do artigo 162 proíbe expressamente “queimar fogos de artifício, bombas, buscapés, morteiros e outros fogos perigosos nos logradouros públicos ou em janelas e portas que se abram para os mesmos logradouros”. A legislação ainda indica que  os impeditivos  previstos poderão ser suspensos mediante licença da prefeitura apenas em dias de festividades públicas ou religiosas de caráter tradicional.

Leave a Reply