Professor Telles, o primeiro educador de Alpinópolis

Ilustração de uma escola de primeiras letras
Fonte: Contreras (1895)

Na Ventania, fundada em 1779, apesar das reformas implantadas pelo Marquês de Pombal – que expulsou os jesuítas do Brasil (1759), então responsáveis pela educação no território nacional – os moradores recebiam, basicamente no formato de catecismo, lições oferecidas pelos membros do clero atuantes no local, principalmente os padres da Diocese de São Paulo, da qual o arraial fez parte até 1900. A história da educação em Alpinópolis se resumiu a essas instruções rudimentares, ministradas por religiosos, por quase 70 anos. A primeira escola do arraial foi estabelecida em 1850 com a chegada do professor Telles.

Antônio Ferreira Telles de Menezes, nascido em 1820, natural de Campo Belo, chegou por volta de 1850 à freguesia de São Sebastião da Ventania, onde morava um parente, ao que tudo indica, seu irmão Francisco Telles de Menezes, que se casou com Lucianna Ferreira Conceição, em 1826, na capela de São Sebastião. O professor lecionou em um tipo de instituição denominada ‘escola de primeiras letras’, que propiciava, basicamente, acesso ao ensino da leitura, da escrita e das quatro operações aritméticas.

Mestre Telles exerceu a profissão no arraial em uma época em que acontecia a descentralização do ensino público no Brasil, planejada no decorrer do período regencial (1831-1840). Já sob o comando de D. Pedro II, durante o Segundo Reinado, o Governo Central era responsável pelo ensino superior em todo o território nacional e os governos provinciais responsáveis pela administração e legislação dos ensinos primário, secundário e profissional, dentro dos seus limites territoriais. Em 1850, José Ricardo de Sá Rego era o presidente da província de Minas Gerais. A freguesia de São Sebastião da Ventania era distrito de Passos (Vila Formosa do Senhor Bom Jesus dos Passos) e, segundo o Censo de 1840, contava com 1.973 habitantes (1.475 livres e 498 escravos). A contagem foi feita pelo juiz de paz local, Justiniano dos Anjos Vieira.

Bernardo Saturnino da Veiga relata, no “Almanak Sul Mineiro” (1884) que o mestre Telles exerceu o cargo em Ventania por mais de 30 anos. A escola ficava num casarão que existia na rua que atualmente leva seu nome (Rua Professor Telles), na altura do número 331 – nas proximidades de onde fica, hoje em dia, a Câmara Municipal.

Apesar de não haver registros locais específicos, é possível presumir o que era ensinado pelo professor Telles aos alunos do arraial, já que a legislação da época (Lei de 15 de outubro de 1827 – primeira e única lei imperial sobre instrução pública) definia em seu art. 6º o que seria ministrado nas escolas, ou seja, que os professores deveriam “ensinar a ler, escrever, a gramática da língua nacional, os princípios da moral cristã e da doutrina da religião católica apostólica romana, preferindo para as leituras a Constituição do Império e a história do Brasil, assim como as quatro operações aritméticas, decimais, proporção e geometria prática”.

Professor Telles faleceu em 04 de fevereiro de 1900, solteiro, com 80 anos de idade. Foi sepultado no antigo cemitério da Ventania (atual Praça Doutor José Carvalho de Faria), sendo seu corpo encomendado pelo padre João Olympio Rodarte.

Referência Bibliográfica: LOPES, José Iglair. História de Alpinópolis: nos séculos XVIII, XIX e XX, até 1983/José Iglair Lopes; colaborador: Dimas Ferreira Lopes. – Belo Horizonte: O Lutador, 2002.

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