Produtores de Alpinópolis descartam mais de 150 mil litros de leite em função da greve

Uma média de 150 mil litros de leite está sendo descartada, por dia, por produtores rurais do município em decorrência da paralisação dos caminhoneiros, segundo informou o Sindicato dos Produtores Rurais de Alpinópolis. A entidade também alerta para o risco de haver falta de ração para alimentar o rebanho.

O descarte está acontecendo já que se tornou impossível transportar o produto, considerado perecível, pois as principais rodovias utilizadas para o escoamento da produção local estão interditadas. O leite de Alpinópolis é levado para cidades que sediam grandes laticínios como Vigor, Mococa, Itambé, Ibaré, Jussara, Casmil, entre outros. O produtor é praticamente obrigado a se desfazer do leite, uma vez que este não suporta mais de dois dias de armazenamento e a produção não pode ser interrompida. Os próprios laticínios também não estão mais recebendo o produto de forma regular, já que os tanques estão lotados. Além do mais, o leite não pode sequer ser doado, visto que a legislação não permite.

Outro efeito das paralisações, que pode afetar a cadeia produtiva do leite, é a falta de ração para as vacas, que já começa a ser sentida. Em Alpinópolis, uma fábrica do produto está em vias de interromper a produção por escassez de matéria prima. Sem ração suficiente, o animal também sofre prejuízos, pois quando um bovino tem a dieta quebrada, sua recuperação pode demorar cerca de um mês para ser restabelecida.

De acordo com José Carlos de Paula, presidente do sindicato, a entidade apoia a greve, porém está ciente dos muitos prejuízos que recaem sobre os produtores de leite do município. “O que mais nos deixa indignados é a falta de ação do governo federal, que parece não estar sabendo lidar com a situação. Em Alpinópolis estamos jogando leite fora desde a segunda-feira e os prejuízos do setor já são grandes. Temos no município muita gente que produz mais de mil litros diários, isso sem contar os pequenos que produzem muito menos que isso. Em um cálculo aproximado, presumimos que o descarte diário está em torno de 150 mil litros, mas não é difícil que chegue até os 200 mil”, diz o dirigente.

No entanto, apesar dos prejuízos, o sindicato declara total apoio à greve e vem se mobilizando, assim como outros setores da cidade, para dar suporte aos manifestantes, principalmente os caminhoneiros de outros lugares do país que estão parados às margens da MG-446, desde a última segunda-feira (21). “Sabemos que o produtor, que é a classe que o sindicato defende, está sofrendo com essa greve. Mas também entendemos que ela é necessária e, por isso, declaramos nosso total apoio aos caminhoneiros. De nossa parte, temos conclamado a todos os associados para que ajudem o movimento, trazendo seus tratores e máquinas agrícolas para o local da paralisação em Alpinópolis. Temos auxiliado, também, no fornecimento de alimentos para os manifestantes. Entendemos que essa luta é de todos”, concluiu o presidente.

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