Período escravagista no arraial de São Sebastião da Ventania

O território onde atualmente fica a sede do município de Alpinópolis está ocupado desde 1779, portanto, há cerca de 239 anos. Como a abolição da escravatura no Brasil aconteceu em 1888, é natural que os fazendeiros do arraial de São Sebastião da Ventania também fossem proprietários de escravos. E por aqui havia muita gente escravizada. Em 1840, por exemplo, a população local era composta por 1.973 habitantes, dos quais 1.475 eram livres e 498 cativos. Ou seja, mais de 1/4 dos moradores da freguesia eram escravos.

Em seu livro “Quilombo do Campo Grande – A História de Minas que se Devolve ao Povo”, o autor Tarcísio José Martins, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, dá conta de que o hoje território do município de Alpinópolis abrigou, no século XVIII, em um período anterior à formação do arraial, o Quilombo das Pedras, parte integrante do Quilombo do Campo Grande. Por essas bandas passou um dos mais temidos capitães-do-mato que se tem notícia, o bandeirante Bartolomeu Bueno do Prado, que se vangloriava de ter arrancado, em suas caçadas e queimadas de quilombos, mais de 3.900 pares de orelhas de negros fugidos. Este sanguinário lutou vários anos contra os quilombos estabelecidos na região e acabou destruindo todos, entre eles o da Ventania.

Em suas pesquisas o historiador alpinopolense José Iglair Lopes conseguiu encontrar um artefato, no mínimo, curioso. Trata-se de um cartaz, do ano de 1886, anunciando a fuga de um escravo de uma das fazendas da freguesia, cujo dono era José Rodrigues de Oliveira. Os procedimentos da escravatura não se diferenciavam nem mesmo nas localidades pacatas como era a da Ventania. O escravo era ‘coisa’, um pertence dos senhores proprietários, e como tal eram tratados.

O documento está datado de 12 de novembro de 1886 e a escravatura só foi oficialmente abolida no Brasil pela Lei 3.353, de 13 de maio de 1888, assinada pela princesa Isabel, conhecida como Lei Áurea. Ou seja, aproximadamente um ano e meio depois da fuga de Romualdo.

Referência Bibliográfica: LOPES, José Iglair. História de Alpinópolis: nos séculos XVIII, XIX e XX, até 1983/José Iglair Lopes; colaborador: Dimas Ferreira Lopes. – Belo Horizonte: O Lutador, 2002

Deixe uma resposta