O COMÉRCIO DOS VOTOS EM ALPINÓPOLIS

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Os primeiros prefeitos alpinopolenses não foram eleitos pelo povo e sim nomeados. Isso porque a emancipação se deu durante a Ditadura Vargas, época em que os mandatários municipais eram indicados por interventores federais ou governadores estaduais. A primeira eleição por aqui foi realizada no dia 23 de novembro de 1947, com chapa única, por meio de um acordo político que elegeu como prefeito o Dr. Luiz Introncaso Filho (PTB) e como vice Horácio Pereira Damásio (UDN). Devido a divergências administrativas, cerca de três meses depois, o novo prefeito renuncia e assume o vice. Esse imbróglio causa uma reviravolta no cenário eleitoral alpinopolense e propicia a formação de duas representações partidárias fortes: o Bloco do PSD e o Bloco da UDN, que ficaram conhecidas respectivamente como PIMENTA e JILÓ e, por incrível que pareça, permanecem vivas até hoje. Desde então esses dois blocos políticos se alternam no comando da cidade e fazem o que podem (e o que não podem) para tomar ou manter o poder.

As eleições por aqui são caracterizadas pelas disputas acaloradas e busca obstinada por cada voto. Mas o que realmente leva o eleitor a escolher seus candidatos em uma votação? A esta pergunta, que vem intrigando cientistas políticos há mais de 50 anos, talvez caiba as respostas de analistas que tendem a concordar que o cidadão segue um conjunto de motivações na definição de preferência política. Existe o voto ideológico, o voto pessoal, o voto circunstancial e o famigerado voto comprado. É lamentável concluir que somente uma pequena parcela do eleitorado alpinopolense segue convicções ideológicas na escolha do candidato. Uma boa parte apóia candidatos que possuem sua confiança pessoal e outros são circunstanciais e ligados à forma como candidaturas e programas são apresentados. Porém existe ainda o eleitor que vende seu voto. E se há quem venda é porque também há quem compre.

A compra de voto, infelizmente, é uma realidade em todas as eleições realizadas em Alpinópolis. Executar uma observação apenas superficial é suficiente para confirmar que nosso processo eleitoral é caracterizado por uma intensa negociação de bens materiais, favores administrativos e promessas de cargos. Sendo uma prática antiga por aqui, a compra do voto ocorre dentro de determinados padrões recorrentes. Pode ser organizada por integrantes da própria máquina de campanha do candidato (distribuição de cestas básicas, material de construção, combustível, etc), por cabos eleitorais que profissionalizaram a negociação dos votos (pessoas geralmente ligadas à chefia de serviços públicos e que atuam como uma espécie de intermediário permanente dos “favores”) ou por correligionários independentes que, com recursos próprios ou de terceiros em mãos, conseguem comprar votos para um candidato. Isso vem apodrecendo a política de nossa cidade há décadas, tornando as campanhas eleitorais caríssimas e obrigando os vencedores a pagar a conta com dinheiro público desviado por meio de superfaturamentos de materiais e serviços, licitações fraudulentas, cabide de empregos, entre outras desonestidades.

Um escândalo iniciado por vídeos que divulgaram na internet supostas ações de compra de votos trouxe o assunto à tona e tornou o tema amplamente discutido na cidade nos últimos dois anos. Um deles, o que mostrava os então candidatos Julio Batatinha e Cléber do Lói em uma situação deveras suspeita, transformou-se em processo e foi recentemente julgado improcedente pelo magistrado de 1ª Instância. Não cabe a este articulista abonar ou desabonar a decisão judicial, mas sim lamentar a oportunidade perdida de moralizar, pelo menos em parte, a política em Alpinópolis. Caso houvesse uma condenação as corjas de compradores de voto sentir-se-iam atemorizadas e, talvez, deixariam de recorrer a essa malévola conduta. Ocorreria certamente uma drástica redução nos gastos das dispendiosas campanhas eleitorais alpinopolenses e, conseqüentemente, não haveria necessidade de sangrar os cofres municipais para pagamento desta natureza de dívidas. Seria o início de um precioso revigoramento financeiro de nossa prefeitura, algo imprescindível para que as coisas possam se acertar por aqui. Já que as filmagens não foram consideradas como provas lícitas pelo juiz, o que a população deve fazer é colocar-se atenta e procurar por evidências que confirmem legalmente a ocorrência desse tipo de crime na cidade e, logicamente, apresentar tudo à Justiça. Só assim essa nefasta prática de compra de votos poderá ser coibida e Alpinópolis ser dignamente reerguida.

 

Eduardo Henrique Lemos Teixeira – Dentista

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