Moradores do São Bento, em Alpinópolis, temem cobrança de tarifas da Copasa

As pessoas que vivem da comunidade rural do São Bento, situada às margens da rodovia MG-446, no município de Alpinópolis, estão inquietas com a proximidade da implantação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, no local.  A grande preocupação dos moradores que vivem nas cerca de 60 casas do povoado é, na verdade, com as novas tarifas que passarão a ser cobradas, consideradas muito altas pela maioria. Um abaixo-assinado, pedindo pela não instalação da companhia na localidade, chegou a ser feito e foi protocolado no escritório da empresa em Alpinópolis.

A Copasa detém os direitos de exploração dos serviços de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto na sede do município de Alpinópolis graças a um contrato de programa assinado, em 2016, pelo ex-prefeito Júlio César Bueno da Silva, o Júlio Batatinha (PTB). O documento também prevê a prestação dos mesmos serviços no bairro rural do São Bento.

A execução e a cobrança por tais serviços começaram, em janeiro de 2017, apenas na sede do município. Agora, alguns anos depois, a Copasa dá início ao processo de implantação das atividades no São Bento. Os moradores estão apreensivos diante da movimentação de funcionários da empresa e a colocação de cavaletes de ligação de água nas residências. No local, atualmente, o esgoto é coletado por rede própria, mantida pela Prefeitura Municipal, e descartado em uma pequena estação de tratamento, construída pelo poder público há aproximadamente 12 anos.

Já o fornecimento de água é realizado por meio de um poço artesiano construído no bairro há cerca de 28 anos. De acordo com a Copasa, nos anos de 2019 e 2020, foi realizada a padronização do sistema de abastecimento de água, com a execução de posto de dosagem de cloro e flúor, a substituição de reservatório metálico e a instalação de cavaletes.

O que tem assustado os moradores, no entanto, não é a mudança no sistema e sim a inevitável cobrança pelos serviços, já que o povoado é composto, em sua maioria, por pessoas de baixa renda. E essa inquietação não vem de agora. Em junho do ano passado, já prevendo uma possível ação nesse sentido, um abaixo-assinado foi elaborado pela população local e protocolado na sede da Copasa, em Alpinópolis.

O trabalhador rural Weder Reis da Silva Pimenta, de 28 anos, diz que ele e muitos outros moradores não concordam com a cobrança que está para ser introduzida no bairro, já que o poço artesiano, instalado no local há muitos anos, vem servindo muito bem à população e dispensaria qualquer intervenção da Copasa. “Acho muito errada essa cobrança que estão querendo fazer aqui. Nós ganhamos o poço artesiano que abastece as casas, colocado em 1992 pelo ex-prefeito Cassiano José Lemos, e agora vem a Copasa querendo assumir e cobrar do povo. Aqui ninguém acha isso certo, já fizemos um abaixo-assinado, mas não sei se vai resolver alguma coisa”, disse.

Neste abaixo-assinado, os moradores requerem, considerando ainda não terem sido convidados a participar de qualquer audiência pública para definição do assunto, que deles não seja cobrada qualquer taxa de tratamento pela companhia. O texto ressalta, ainda, que a comunidade é carente e as pessoas ali residentes não dispõem de recursos para pagamento dessa natureza de serviço. “Assim, não queremos esse tipo de cobrança em nosso bairro rural”, destaca a parte final do documento.

A COPASA

A Copasa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que realiza investimentos contínuos em Alpinópolis. Esclareceu que estão previstas, para 2021, obras de melhorias do sistema de água e de esgotamento sanitário no São Bento, visando garantir melhor qualidade de vida aos moradores, que, além da água, terão o esgoto tratado antes de ser devolvido aos córregos e rios da região, proporcionando melhoria da qualidade das águas e ganho nas condições de saúde de toda a população.

As tarifas pela prestação dos serviços de água e de esgotamento no bairro rural, segundo a companhia, serão cobradas conforme resolução da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae-MG) e são as mesmas em todos os municípios atendidos pela empresa.

A companhia ainda esclarece que os usuários que atendam aos requisitos necessários, poderão ser cadastrados na categoria relativa à Tarifa Social, que é um benefício para as famílias que estão no Cadastro Único para Programas Sociais – CadÚnico. A Tarifa Social reduz as faturas dos serviços de água e de esgotamento sanitário da Copasa em até 50%.

Fonte: Folha da Manhã

 

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