Hospital Cônego Ubirajara Cabral completa 33 anos

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No dia 21 de janeiro de 1984, portanto há exatos 33 anos, era inaugurado um dos maiores patrimônios físicos do povo alpinopolense: o Hospital Cônego Ubirajara Cabral. A entidade leva o nome de seu idealizador e principal fomentador, o homem “valente e destemido, poupado de medo”, como o descreveu Dr. Hélio Ferreira Lopes, em brilhante discurso proferido no dia da inauguração.

Nos primórdios do atendimento de saúde pública em Alpinópolis, os cuidados eram prestados em um local denominado “Posto de Higiene”, órgão estadual criado no ano de 1952.  Com o crescimento populacional, em 1969 foi fundada a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Alpinópolis, primeiro passo para que fosse feita a transferência do atendimento hospitalar para lugar mais adequando, sendo este o prédio da LBA, onde hoje funciona a APAE. Nesta nova fase não podemos deixar de citar a grande contribuição do microscopista e provedor José Freire Gonçalves (Zé do Nelson), dos médicos Dr. Hélio Ferreira Lopes e Dr. Lázaro Vilela de Faria e do farmacêutico e laboratorista Javert Brasileiro.

Prédio do hospital em construção - 1982

Prédio do hospital em construção – 1982

Porém, notando a necessidade de construção de novas instalações, Padre Ubirajara idealizou o projeto e, com o apoio da comunidade e da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Alpinópolis, no dia 30 de julho de 1979, iniciaram-se as obras que foram concluídas quatro anos e meio depois, quando a construção foi, de fato, dada por terminada. O espaço físico estava pronto e ali havia sido investido o montante de CR$ 39.674.895,00. O prédio foi então equipado, os profissionais arregimentados e as funções ativadas. Os primeiros médicos que serviram no hospital foram Dr. Hélio, Dr. Pedro. Dr. Eloy, Dr. Paulo, Dr. Marcondes, Dr. Luiz, Dr. Vicente e Dra. Graça.

Vicente de Paula, Geraldo Ferreira Lopes e Antônio Júlio de Oliveira (Prancha), alpinopolenses ilustres, participando do mutirão de conclusão das obras.

Vicente de Paula, Geraldo Ferreira Lopes e Antônio Júlio de Oliveira (Prancha), alpinopolenses ilustres, participando do mutirão de conclusão das obras.

A solenidade de inauguração teve início com o Hino Nacional e, após a entrega das chaves do prédio pelo Padre Ubirajara ao representante da irmandade, Dr. Eloy de Faria Neto, Dr. Hélio brindou os presentes com sua apurada eloquência por meio de um inesquecível discurso que, aqui vai reproduzido em parte:

discurso_dr_helio_alpinópolis“Quando ao convite a mim dirigido pelos amigos organizadores desta programação, me senti pequeno para desempenhar este mister diante à grandeza desta festa. Mas, no torvelinho de idéias me veio à tona as palavras de São Lucas, o médico, no capítulo 1 de seu evangelho: ‘E naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas na terra de Judá, entrando em casa de Zacarias, saudou sua prima Isabel e João Batista saltou no seu ventre, de alegria pela anunciação do nascimento da grande nova’. Quando do encerramento da festa de São Sebastião de 1979 acorreram à minha casa diversos amigos e me disseram, Hélio, você foi um dos escolhidos pelo Padre Ubirajara para festeiro geral na festa de 1980 que servirá para ajudar na construção de nosso hospital. As guardas da casa tremeram, a consciência e o dever saltaram de alegria e eu pensei e refleti, não só por São Sebastião, mas por todos os santos em Cristo Nosso Senhor, eu aceito.

(…)

Para a construção deste hospital entrou uma comunidade onde a inflação era invertida, os que tinham tudo não deram nada e os que nada tinham deram tudo. Sacerdote de coração bradicardíaco, de pancadas leves, compassadas de um som doce e musical ao batizar uma criança, ao dar uma benção a um casal no matrimônio, ao consolar os entes queridos na passagem para o mundo dos espíritos. Coração taquicardíaco, acelerado, galopante em suas teimosias construtivas e no rechaço aos petardos e obuses do farisaísmo tupiniquins das praças e esquinas, de língua solta e maldizente.

(…)

Cônego Ubirajara, em terminando, quisera eu ter não só dois braços, mas os tentáculos de um polvo para abraçá-lo pessoalmente e eu fazendo, tenho certeza de que o meu, o nosso povo o faria agradecidamente. 

Referências Bibliográficas: 

LOPES, José Iglair. História de Alpinópolis: nos séculos XVIII, XIX e XX, até 1983/José Iglair Lopes; colaborador: Dimas Ferreira Lopes. – Belo Horizonte: O Lutador, 2002.
FARIA FILHO, Eloy de. Monsenhor Ubirajara Cabral – Apascenta as Ovelhas de Alpinópolis – Alpinópolis: Montanhesa Artes Gráficas, 2000.



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