Estudo aponta que Alpinópolis apresenta ineficiência em gestão da Educação

A gestão da educação em Alpinópolis não recebeu boa avaliação em um estudo recente realizado pelo Instituto de Inteligência em Gestão e Sustentabilidade (I3GS) com apoio institucional da Universidade de Brasília (UnB). Os resultados, que têm como base o ano de 2017, foram listados no Atlas da Eficiência em Educação, onde o índice do município aparece com fraca pontuação (0,590), rendendo uma classificação na categoria mais baixa do levantamento: Ineficiência Extrema.

Alpinópolis ocupa o 533º lugar no ranking da eficiência entre os 775 municípios mineiros analisados. No Sudoeste de Minas a cidade figura na 17ª colocação entre 21 localidades averiguadas. O Atlas da Eficiência compara a gestão pública entre municípios de um mesmo estado, traduzindo-a em números e permitindo verificar quais são mais ou menos eficientes em diferentes setores. No caso da Educação, levando em conta os insumos empregados no Ensino Fundamental, são observados critérios como valor investido por aluno, nível de esforço docente, número de servidores disponíveis, retenção escolar, aprovação e proficiência.

O índice de eficiência (IEfi) é dividido em quatro patamares: Ineficiência Extrema (0 a 0,599); Ineficiência Crítica (0,600 a 0,799); Ineficiência Moderada (0,800 a 0,999) e Eficiência (1).  O cálculo classificatório é feito a partir da comparação entre unidades produtivas, sendo a principal metodologia utilizada nomeada de Análise Envoltória de Dados – DEA. A partir deste método é possível estimar índices de eficiência de unidades produtivas, utilizando múltiplos insumos e produtos.

De acordo com o levantamento, o desempenho educacional é considerado satisfatório em Alpinópolis, apresentando uma nota média no IDEB próxima de 6,4 e taxa de desistência escolar de apenas 0,1% em um universo de 792 alunos matriculados no Ensino Fundamental, os quais são atendidos por um total de 47 professores e 91 servidores (exceto docentes), segundo dados do censo escolar do INEP 2017.

O problema, no entanto, é outro. A gestão de educação em Alpinópolis produz somente 59% do que deveria produzir, levando em conta os valores gastos e insumos disponíveis. O estudo aponta ineficiência em gestão educacional na forma de um comparativo feito entre os investimentos realizados e os resultados alcançados.  A análise mostra que o município poderia obter os mesmos ganhos diminuindo os insumos ou melhorar os índices aumentando a produção. A conclusão, em linhas gerais, é que se poderia fazer muito mais com a quantidade de dinheiro que se gasta hoje em dia.

No quesito investimento educacional por aluno, por exemplo, o ideal seria chegar aos mesmos resultados, que atualmente se obtêm em Alpinópolis, com um gasto 40,9% menor, ou seja, poderia ser destinado um total de apenas R$ 5.364,16 por aluno/ano ao invés dos R$ 9.052,89 que são aplicados, de acordo com o atlas.

No quesito nível de esforço docente, que seria a proporção do número de professores atuantes para cada grupo de 100 alunos matriculados, o município apresenta um valor atual maior (13) do que deveria ter (8) para alcançar o mesmo desempenho. O ideal seria uma economia de 38,5% neste insumo, conforme o estudo.

Já no número de servidores (exceto docentes), Alpinópolis igualmente mostra ineficiência, uma vez que a quantidade de funcionários para o atendimento deveria ser de 7 para cada grupo de 100 alunos matriculados e o município conta com 11, sendo que poderia haver, segundo o levantamento, uma diminuição de 36,4%.

Segundo os números apontados pela pesquisa, pouco poderia ser feito para melhorar os quesitos retenção escolar e taxa de aprovação, já que ambos contam com um percentual de 99,9%. O índice de proficiência, mensurado pela nota do IDEB 2017, poderia subir dos atuais 6,37 para 10, realizando um ajuste de aproximadamente 57%, contudo o indicador é tido como adequado para os padrões atuais.

Uma alternativa à economia dos insumos seria a majoração dos resultados com um aumento de produção. No entanto, como o desempenho é considerado satisfatório na esfera municipal, o ideal seria mesmo economizar, mantendo a performance.  Aplicar recursos e destinar profissionais para outras atividades educacionais e culturais, permitidas pela legislação, seria uma opção.

Em Minas Gerais 89% dos municípios foram aferidos pelo atlas. Destes, 51% figuram na categoria Ineficiência Crítica, 33% Ineficiência Extrema, 14% Ineficiência Moderada e apenas 2% Eficiente. No Sudoeste de Minas dez cidades estão no patamar Ineficiência Crítica, quatro no de Ineficiência Extrema, cinco no de Ineficiência Moderada e apenas uma aparece como Eficiente, tendo esta alcançado o chamado Selo IEfi 10.000, que certifica a qualidade na gestão por eficiência.

Eficiência (benchmark):

  • Pratápolis – 1 (única cidade da região a receber o Selo IEfi 10.000)

Ineficiência Moderada:

  • Conceição Aparecida (28º em MG) – 0,964
  • São Pedro da União (90º em MG) – 0,843
  • São J. B. do Glória (112º em MG) – 0,815
  • Cássia (115º em MG) – 0,811

Ineficiência Crítica:

  • São Tomás de Aquino (189º em MG) – 0,760
  • Passos (195º em MG) – 0,757
  • Bom Jesus da Penha (204º em MG) – 0,752
  • Fortaleza de Minas (212º em MG) – 0,750
  • Jacuí (226º em MG) – 0,742
  • Itaú de Minas (286º em MG) – 0,702
  • Delfinópolis (303º em MG) – 0,696
  • Nova Resende (326º em MG) – 0,683
  • São Sebastião do Paraíso (385º em MG) – 0,656
  • Guapé (492º em MG) – 0,610

Ineficiência Extrema:

  • São José da Barra (519º em MG) – 0,598
  • Alpinópolis (533º em MG) – 0,590
  • Carmo do Rio Claro (549º em MG) – 0,583
  • Piumhi (562° em MG) – 0,574
  • Claraval (597º em MG) – 0,554
  • Capitólio (765º em MG) – 0,40

Atlas da Eficiência em Educação – Minas Gerais/Reprodução

Fonte: Folha da Manhã

Deixe uma resposta