Centenário de nascimento de Padre Orlando Oliveira Vilela – 1914/2014 –

Padre Orlando Vilela
Padre Orlando Vilela

Um dos grandes vultos da história alpinopolense completaria, se vivo fosse, 100 anos de idade em 2014. Padre Orlando Oliveira Vilela nasceu em Alpinópolis no dia 22 de março de 1914 e foi, além de sacerdote, um renomado professor universitário e escritor. Teve sua formação religiosa e intelectual no Seminário Nossa Senhora Auxiliadora de Guaxupé e foi ordenado em 24 de janeiro de 1937. Homem de espírito rebelde, esse ilustre alpinopolense foi figura ativa e fundamental no processo de emancipação de nossa cidade, em 1938, ao lado de nomes de expressão como Antônio Herculano dos Reis, Dr. José de Carvalho Faria, José Jacinto Ribeiro, Padre Gerardo Ferreira Reis e José Sureti.

Padre Orlando deixou profícua obra literária, sendo apreciado e elogiado por baluartes da literatura e autoridades brasileiras como Oto Lara Rezende, Tristão de Ataíde, Milton Campos e Juscelino Kubitschek. Dentre suas obras podemos aqui destacar “Realidade e Símbolo” (1947),  “Um burro e sua sombra” (1956), “A pessoa humana no mistério do mundo” (1971), “A violência no mundo atual” (1977) e “Sacerdotes e Escribas” (1985). Também é vasta sua produção de ensaios, artigos e pareceres.

Em entrevista concedida ao historiador José Iglair Lopes, o professor Elói Silveira Reis teceu elogiosos comentários sobre Padre Orlando, classificando o literato, em linhas gerais, como um “escritor de mérito, preciso na linguagem e estilo comedido”. Como sacerdote, o professor foi acertado em denominá-lo como portador de “uma aguda consciência teórica mercê do conceito de grande competência e uma consciência profunda o poder da razão e dos mistérios da fé”.

Injusto seria ocultar o depoimento de Roberto de Oliveira Campos, seu colega de seminário e ex-ministro do presidente Castelo Branco, senador, deputado federal e diplomata. Roberto Campos escreveu sobre nosso notável conterrâneo, em seu livro de memórias “A Lanterna na Popa” (1994), o seguinte: “O mais inteligente de todos, o Orlando Vilela, tornou-se um professor de Filosofia e um escritor de mérito, mas sua excessiva rebeldia o impediu de ascender na hierarquia. Morreu apenas padre, depois de lecionar na PUC (Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte).” Este depoimento mostra-nos a linhagem moral e intelectual a que pertenceu esse sacerdote e escritor alpinopolense.

Padre Orlando Vilela faleceu aos 09/03/1989 e está sepultado em Belo Horizonte, no cemitério Parque da Colina.

 

Referência Bibliográfica: LOPES, José Iglair. História de Alpinópolis: nos séculos XVIII, XIX e XX, até 1983/José Iglair Lopes; colaborador: Dimas Ferreira Lopes. – Belo Horizonte: O Lutador, 2002.

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