Cemitério de Alpinópolis completa 101 anos neste 2 de novembro

O cemitério de Alpinópolis encontra-se em funcionamento desde 1919 e conta, atualmente, com cerca de dois mil túmulos em um território de mais de 15 mil metros quadrados, situado na divisa entre os bairros São Benedito e Mundo Novo. Naturalmente, devido a diversos fatores, a quantidade de espaço para construção de novos túmulos é pequena e restam poucos lotes vagos. Fato curioso, que merece menção, é que o quarteirão inteiro que o cemitério ocupa não possui domínio averbado em cartórios de registro de imóveis, ou seja, o terreno não tem escritura.

Vista aérea do cemitério
Imagem: Google Maps

ANTIGO CEMITÉRIO

A área, localizada na altura do número 194 da Avenida Saudade – logradouro que ganhou esse nome justamente por dar endereço ao cemitério –, passou a ser utilizada logo que o antigo lugar de sepultamentos foi desativado. O campo santo anterior, que ficava onde atualmente se encontra a Praça Doutor José de Carvalho de Faria, conhecida popularmente como Praça do Rosário, foi o primeiro cemitério do então arraial de São Sebastião da Ventania. Tinha o portão principal voltado para onde hoje está o fórum da comarca – em frente a uma grande cruz de madeira – e, ao fundo, havia uma capela de São Miguel. Inaugurado em 1825, este primitivo sepulcrário serviu à comunidade alpinopolense por mais de nove décadas. Após sua desativação definitiva, parte dos ali enterrados tiveram seus restos mortais transferidos para o novo cemitério. Os demais, ainda descansam no mesmo lugar.

Ao fundo, portão e muro do antigo cemitério

PRIMEIRO SEPULTAMENTO

O primeiro sepultamento realizado no cemitério atual ocorreu em meio a um dos capítulos mais tristes da história da cidade, quando a gripe espanhola ceifou a vida de grande número de alpinopolenses. Foram 158 falecimentos no período entre 1917 e 1919, no entanto a quantidade deve ser ainda maior, já que esse número corresponde apenas aos registros do cartório civil.  O primeiro corpo a ser enterrado no local, segundo o livro de óbitos da Paróquia de São Sebastião, pertencia a uma menina, de 13 anos, vítima da gripe. O sepultamento aconteceu no dia 16 de janeiro de 1919, ano em que morreram na cidade 105 pessoas – a maioria crianças com menos de 10 anos de idade – em decorrência da referida enfermidade.

Jazigo do historiador José Iglair Lopes.

A inauguração oficial, contudo, somente se deu no dia 2 de novembro daquele ano, possivelmente para coincidir com a data em que se homenageia, conforme as tradições católicas, a lembrança dos fiéis defuntos (Dia de Finados). Apesar da Constituição da República de 1891, vigente neste período, já atribuir aos cemitérios brasileiros caráter secular, devendo ser, portanto, administrados pelas autoridades municipais, os únicos registros encontrados sobre atividades realizadas no local foram feitos pela Paróquia de São Sebastião. Porém, as anotações assinaladas pelo pároco da época, o padre Vicente Bianchi, cessam no início da década de 50.

Jazigo do padre Vicente Bianchi

ADMINISTRAÇÃO

A legislação municipal versa sobre as responsabilidades que tem o poder público local em áreas destinadas a sepultamentos. O artigo 16, inciso XXIX, da Lei Orgânica de Alpinópolis diz que, à prefeitura compete, privativamente, administrar os serviços funerários e de cemitérios, assim como fiscalizar os que pertencerem às entidades privadas. Já a Lei Complementar 140/2018 (dispõe sobre parcelamento, uso do solo e edificações) diz, em seu artigo 32, inciso XIII, que espaços como cemitérios e necrotérios são classificados como de uso especial, por serem causadores de impactos ao meio ambiente urbano, e sua implantação deverá ser objeto de projeto e licenciamento específicos, aprovados pelos órgãos competentes.  Há ainda a Lei Complementar 001/2001 (dispõe sobre a estrutura administrativa do Executivo) determinando, em seu anexo I, que compete ao Departamento Municipal de Patrimônio administrar os campos santos (cemitérios).

Jazigo do padre Ubirajara Cabral

O cemitério de Alpinópolis é dividido em seis quadras e abriga 1974 lotes em toda sua extensão. O local possui iluminação, banheiro, água encanada e é atendido por servidores públicos municipais. Ali são realizados, aproximadamente, 12 sepultamentos por mês. Os serviços executados são tarifados, sendo que o mais oneroso da tabela é a venda de túmulo, que sai por R$779. Em seguida vem a construção de túmulo (sem terreno) que custa R$520 e a cessão perpétua de terreno pelo valor de R$260. Já para uma transferência ou abertura de túmulo e sepultamento o total a ser pago é de R$156,50. O serviço mais barato é o de sepultamento em terra, que custa R$52,50.

CENTENÁRIO

A exemplo do antigo cemitério, o atual também conta com uma pequena capela de São Miguel, situada na própria edificação do portal de entrada, à direita de quem entra.

Altar da Capela de São Miguel

No amplo terreno que abrange existem túmulos centenários e jazigos que abrigam os restos mortais das muitas famílias que compõem a sociedade alpinopolense, incluindo importantes personalidades da história da cidade.

Jazigo dos familiares de Antônio Villela dos Reis

Bem na entrada, também do lado direito, quase rente ao velho muro de pedras que cerca o campo santo, há duas antigas cruzes fincadas – uma talhada em pedra e outra em madeira –, onde muitos ainda mantêm o costume rezar pelas almas dos falecidos.

Cruzes na entrada do cemitério

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