Caminhoneiros mantêm greve e paralisação já dura sete dias em Alpinópolis

O movimento paredista dos caminhoneiros chega ao sétimo dia em Alpinópolis, ainda sem previsão para ser encerrado. Mesmo depois dos acordos estabelecidos entre o governo federal e algumas entidades de liderança do setor, anunciados na noite da última quinta-feira (24), os manifestantes decidiram manter a paralisação. No entanto, desde a manhã deste domingo (27), por orientação da Polícia Rodoviária, a pista da MG-446, que encontrava-se parcialmente interditada, está liberada e os caminhoneiros desobrigados da permanência no local. Na cidade há mais de 100 caminhões estacionados no acostamento da rodovia e no pátio de um posto de combustíveis. Já na região, são pelo menos 45 pontos ocupados.

A Associação dos Caminhoneiros de Alpinópolis – ACA resolveu aderir à manifestação, que acontece em todo o país, em reunião realizada na manhã da última segunda-feira (21). Segundo os organizadores, mesmo com o anúncio de acordos, não há intenção da categoria em abandonar o manifesto, o que só deve ocorrer se houver uma desmobilização em escala nacional. Com exceção do bloqueio da pista, tudo permanece basicamente do mesmo jeito no local. Cerca de uma centena de caminhões, de Alpinópolis e outros lugares do Brasil, continuam ocupando quase todo o estacionamento do Auto Posto Ventania e as margens da MG-446.

Diversas demonstrações de apoio aos caminhoneiros já foram realizadas na cidade. Uma carreata, com tratores e máquinas agrícolas de vários produtores rurais do município, circulou por algumas ruas no início da noite da última sexta-feira (25) e outra, organizada pela Associação Comercial e Industrial de Alpinópolis (Acialp), percorreu um trajeto que liga o centro da cidade até o local da manifestação, na tarde de sábado (26). Uma nova ação está prevista pra acontecer neste domingo.

A população alpinopolense abraçou a causa dos caminhoneiros e vem oferecendo amplo suporte ao movimento desde o início, principalmente na questão do provimento de alimentos e material de higiene pessoal aos manifestantes.

Segundo o presidente da ACA, José Júlio de Oliveira, a ação em Alpinópolis segue a mobilização que acontece em escala nacional e tem como objetivo exigir soluções rápidas por parte do governo, uma vez que a classe vem operando no limite já há algum tempo. “A diretoria da associação se reuniu e decidiu apoiar a greve nacional, pois não aguentamos mais a situação. Os preços que vem sendo cobrados pelo combustível, em razão das atuais políticas do governo, estão inviabilizando o trabalho de quem tem caminhão. Aqui em Alpinópolis o litro de diesel varia entre R$ 3,70 e R$ 4,00 e, na prática, esse valor consome o equivalente a 60% do que cobramos pelo frete, quando o máximo suportável seria 35% do total. Estamos no limite e exigimos que o governo retire parte dos impostos para que o preço diminua”, disparou o caminhoneiro.

O movimento vem provocando, como em outras localidades, falta de combustíveis em Alpinópolis. Na noite de terça (22) e na manhã de quarta (23), motoristas faziam filas para garantir o combustível diante do risco de desabastecimento. Gasolina e álcool já não podiam ser encontrados nas bombas dos postos da cidade no início da tarde de quarta-feira, situação que permanece até o momento. Há registro, também, de falta de gás de cozinha nos revendedores do município.

Outro problema que vem trazendo prejuízos para a economia local é que uma média de 150 mil litros de leite está sendo descartada, por dia, por produtores rurais do município, segundo informou o Sindicato dos Produtores Rurais de Alpinópolis. A entidade também alerta para o risco de haver falta de ração para alimentar o rebanho.

Segundo os organizadores da greve em Alpinópolis, não há pretensão de interromper o movimento na cidade, assim como na maioria das localidades brasileiras, até que haja uma solução definitiva em relação às reivindicações da categoria. Apesar do desbloqueio da rodovia, realizado na manhã deste domingo a pedido da Polícia Rodoviária Federal, os caminhoneiros permanecem estacionados e não demonstram nenhuma intenção de abandonar o local. No trecho onde há maior concentração de caminhões, próximo a uma das entradas da cidade, podem ser vistas faixas pedindo interferência das Forças Armadas no governo, com os seguintes dizeres: QUEREMOS INTERVENÇÃO MILITAR JÁ.

A paralisação vem afetando o cotidiano da população alpinopolense que já começa a ver sua rotina alterada em função de adversidades acarretadas pela greve, como ausência de combustíveis, gás de cozinha, dificuldades de escoamento da produção agropecuária, aulas suspensas, entre outras. Contudo, as manifestações de apoio aos caminhoneiros, notadamente pelas redes sociais, seguem intensas por um número considerável de moradores.

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