Câmara começa com polêmica em Alpinópolis

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Foi retirado da Mesa Diretora da Câmara de Alpinópolis, na tarde da última sexta-feira (06), o polêmico projeto que, entre outras medidas, pretendia criar pelo menos oito cargos que, de acordo com a oposição, não possuem utilidade e contam com salários altos, sendo que alguns passam dos R$ 7 mil. Além disso, foi pedido para que os vereadores votassem a proposta em regime de urgência.

Foi o que explicou a vereadora Maysa Marques Oliveira Brasileiro (PSD), contrária à aprovação do projeto que, de acordo com ela, poderia comprometer o orçamento aprovado, pouco mais de R$ 2,2 milhões. Maysa ressaltou que os cargos não possuíam utilidade para a câmara e que, além disso, a criação deles não convém por conta da crise financeira que tanto o Legislativo quanto o Executivo enfrentam na cidade.

“Estamos em um momento de corte de gastos, o Executivo está tentando enxugar algumas despesas e devemos seguir o exemplo, e não criar cargos”, afirmou Maysa. Ainda de acordo com a vereadora, o cargo de assessor jurídico que atualmente recebe um salário de pouco mais de R$ 3.600, subiu para R$ 7.600, há também a criação de cargos como “Assessor de Controle Interno”, com salário de mais de R$ 4 mil. “O projeto previa ainda a criação de cargo de Chefe de Relações Públicas e Eventos, em que o trabalhador deveria supervisionar os eventos, fazer seleção de fornecedores, agenda do presidente, mas tudo isso é importante ressaltar, que os funcionários efetivos já realizam. Não faz sentido”, afirmou Maysa.

Por outro lado, o presidente da Câmara, José Acácio Vilela (PSDB) disse que a entrega deste projeto para os vereadores foi um equívoco, já que ele não estava finalizado. De acordo com Vilela, a pretensão da Mesa Diretora e da presidência é votar o projeto para a criação do Procon e da Ouvidoria da Casa para atender a população. Para estes serviços serão criados três cargos concursados, o de assessor jurídico e dois cargos de assessoria, e que de acordo com o presidente não comprometem o orçamento votado no último ano.

“Mesmo se somado os valores que serão pagos para estes cargos que serão criados, não vamos chegar a 53% do orçamento da Câmara, não há motivo para polêmicas”, afirmou. Ainda, segundo o vereador, o que será votado estabelece também novas funções ao cargo de assessor jurídico, que passará a ter mais responsabilidades, o que justifica o aumento salarial dos atuais R$ 3.634, para R$ 7.646, um acréscimo de 110%. Em contrapartida, Vilela ressaltou que fará um corte salarial no cargo de assessor de gabinete, caindo de R$ 1.698, para R$ 1.298, uma queda de 23%.

O projeto de criação de cargos em Alpinópolis, que foi cancelado e repercutiu em toda a cidade, segundo a vereadora Maysa Marques, provocaria uma grande participação popular na sessão da Câmara para que não fosse aprovado. Ela acredita que a pressão dos moradores foi o que motivou o cancelamento da votação da criação de cargos. “Foi uma conquista do povo, todos nós temos a convicção de que não é hora de criar cargos, mas pelo contrário, diminuir o máximo de despesas que pudermos”. Nas redes sociais, populares desaprovavam a medida, afirmando que a cidade passa por uma alta no desemprego.

MESA DIRETORA PRETENDE FAZER ECONOMIA

Para o presidente José Acácio Vilela, nos últimos anos foram gastos valores muito altos com diárias de viagens, especialmente a Belo Horizonte, onde os vereadores da cidade viajavam para cursos de capacitação. Ele informou que entre as novas atribuições do cargo de assessor jurídico está a de fazer viagens até os outros municípios para se qualificar visando atender os vereadores na própria Câmara, o que, de acordo com os cálculos, geraria uma economia entre R$ 60 e 80 mil por ano. “Fica mais barato pagar um salário mais alto para o assessor se capacitar e dar o treinamento na nossa própria cidade do que enviarmos os vereadores, podendo fazer uma economia significativa em um ano”, finalizou.

 

Fonte: Folha da Manhã – Escrito por Fernando Lima



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