Alpinopolense atua em campanha de ajuda humanitária em Moçambique

O alpinopolense Joel Reis está morando em Moçambique há quase dois anos, onde trabalha como produtor de eventos. Nesta semana, sua ação mudou para ajudar vítimas do Ciclone Idai, que deixou mais de 676 mortos no sudeste da África, além de milhares de desabrigados em Moçambique, no Zimbábue e no Malauí. Na região moçambicana da cidade de Beira, onde o estrago foi maior, há pessoas ilhadas, sem água e sem comida, e integrantes de equipes de ajuda humanitária estão preocupados com o risco de surto de cólera.

De acordo com Joel Reis, ele e alguns amigos estão fazendo, já há uma semana, arrecadação de alimentos, água, roupas e outros gêneros de primeira necessidade em Maputo, a capital e maior cidade do Moçambique, para levar aos campos onde as pessoas estão sendo abrigadas.

“É uma cena lastimável. O ciclone Idai, que devastou esses países, deixou 676 mortos, afetou centenas de milhares de pessoas, que perderam suas casas, plantações e animais. O fenômeno natural atingiu a costa do centro de Moçambique na manhã da sexta-feira (15), o que provocou fortes ventos e chuvas que inundaram o interior do país e o leste do Zimbábue, deixando os locais devastados. Com certeza, um desastre sem precedentes”, contou Joel.

A zona afetada em Moçambique é de três mil quilômetros quadrados e, mesmo após a limpeza das grandes avenidas e do resgate de centenas de pessoas, ainda há muitas vítimas em regiões inundadas, sem nem sequer água potável. “Na cidade de Beira, já foram registrados casos de cólera, as infecções de malária aumentaram e essa é uma preocupação da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha. As pessoas estão sendo abrigadas em escolas, igrejas e esse contato pode gerar também um problema de saúde com a proliferação de doenças respiratórias”, apontou Reis.

Ainda de acordo com Joel, o cenário é de um pós-guerra. “Tem famílias que os filhos perderam os pais. Há comunidades em que as escolas e clínicas médicas ficaram totalmente destruídas. Vai ser necessário reconstruir muitas cidades”, afirmou o alpinopolense.

A Organização das Nações Unidas (ONU) já liberou U$ 20 milhões em um primeiro pacote de ajuda de emergência. “Mas é necessária uma ajuda internacional muito maior e, para isso, existem várias organizações fazendo arrecadação”, contou Reis.

Dentre elas estão o Unicef (United Nations International Children’s Emergency Fund), que já iniciou campanha de emergência para coletar novas doações. Segundo estimativa da organização, há mais de 600 mil crianças desabrigadas. Também a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras reúne doações em dinheiro para arcar com equipamentos como filtro de transfusão, soro e purificadores de água. A Caritas – entidade católica que trabalha na defesa dos direitos humanos, da segurança alimentar e do desenvolvimento – igualmente aceita doações em dinheiro pela internet. O Centro de Excelência conta a Fome nos EUA se dedica a entregar alimentos em regiões atingidas por desastres e também é outra opção para doações.

Fonte: Folha da Manhã

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