A Festa de São Sebastião de 1950 – Alpinópolis

O ano de 1950 pode ser considerado  especial na história da tradicional Festa de São Sebastião de Alpinópolis, por alguns motivos especiais. Foi neste ano que, pela primeira vez, as celebrações foram realizadas na nova Igreja Matriz e foi, também, a última vez que o Padre Vicente Bianchi esteve à frente da condução. No ano seguinte, a festa já foi organizada pelo Padre Ubirajara Cabral.

A festa de 1950 foi iniciada em uma quarta-feira (11), terminou em uma sexta (20) e foi marcada pelas chuvas continuadas no decorrer de todo o período de realização. Os festeiros gerais foram o senhor João Franklin Pinto e a senhora Geny Ávila Reis e a pregação foi feita por Marcos Antônio Noronha, sacerdote diocesano. A renda foi destinada para pagamento de dívidas —possivelmente contraídas com a construção da nova Igreja Matriz, terminada no ano anterior— e ao acabamento da escadaria do templo.

As novenas —realizadas entre os dias 11 e 19, sempre às 18h— contavam com ladainha, pregação e benção do Santíssimo Sacramento, havendo logo após ocasião para confessar. Na madrugada do primeiro dia da festa (11) e no dia do santo (20) o povo foi despertado, às 5h, com festivo repique de sinos, fogos e música.

As festividades, em sua parte social, foram abrilhantadas pela corporação musical (banda) do maestro Geraldo Aprígio de Paula. Já o coro da igreja esteve sob o comando dos maestros Aureliano Ferreira Lopes, Lúcio Querino Ribeiro e Justo Pieralini. Os fogos ficaram a cargo do exímio pirotécnico (fogueteiro) Pedro Gonçalves de Morais.

Todas as noites, após as rezas, eram realizados leilões de prendas, ofertadas pelas chamadas “senhorinhas” e os festeiros de cada dia. No dia 20, pela manhã, houve missa e 500 pessoas assistiram e às 11h aconteceu outra celebração. No entanto, por conta de uma volumosa chuva, não houve a procissão da tarde, a qual foi realizada, excepcionalmente, na manhã do dia 21. O cortejo foi acompanhado por cerca de três mil fiéis e mais de mil e quinhentas pessoas tomaram comunhão.

O ano em questão foi marcante para este tradicional evento alpinopolense. Essa foi a última festa organizada pelo cônego Vicente Bianchi que, em agosto, caiu doente e foi submetido a uma cirurgia, realizada na Santa Casa de Passos. Devido a complicações precisou ser removido para São Paulo, onde acabou falecendo em 26 de novembro.

Também foi o ano em que os serviços de uma figura lendária da história de Alpinópolis, o senhor João Francisco dos Santos, conhecido carinhosamente por João Sacristão, passaram a ser, aos poucos, assumidos pela competente Nair Ribeiro de Faria, que exerceu a função de auxiliadora sacerdotal até sua morte, em 1990. João Sacristão organizou os ofícios da sacristania da paróquia por longos anos e, especificamente nesta festa de 1950, foi o responsável pela ornamentação e as flores.

Em 1951, com a morte do sacerdote Vicente Bianchi, chegou a Alpinópolis o padre Ubirajara Cabral para assumir a paróquia na qual fez história.

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