O karatê campeão de Alpinópolis

Equipe da academia Shinsei-kan Goju-ryu Dojo de Alpinópolis

É fato conhecido e consumado, que a prática de exercícios físicos beneficia substancialmente o ser humano e, em maior escala, a sociedade como um todo. Praticar esportes reduz a probabilidade do surgimento de enfermidades, contribui para a formação física e mental além de desenvolver e otimizar o corpo. Principalmente durante o período da adolescência, as pessoas são altamente influenciadas pelo consumismo, problemas psicológicos  e outros hábitos prejudiciais, geradores de conflitos internos que desviam valores e aprendizados já obtidos e é, no contorno deste processo, que o esporte mostra sua grande contribuição social. Entendendo a importância da prática esportiva e sentindo a necessidade de colocar a mão na massa sem medo de se sujar, é que o casal de atletas Juliano Gonçalves e Nilce Miranda, hoje donos da academia Shinsei-kan Goju-ryu Dojo, despontaram de forma brilhante no cenário esportivo municipal desenvolvendo em Alpinópolis a arte do karatê, que segundo eles, é mais que um esporte, chegando a ser um estilo de vida. O trabalho da dupla já completa 5 anos e, nesse período, a história que tem para ser contada é recheada de muita luta mas também de muito sucesso com premiações regionais, estaduais, nacionais e internacionais. Em entrevista ao Tribuna Alpina, Nilce falou sobre as conquistas, os anseios e as decepções durante esses anos de coragem encima do tatame.

TA: Quando e como começou esse trabalho em Alpinópolis?

Nilce: Começou por nossa própria iniciativa exatamente no dia 17 de setembro de 2007. No início tivemos apoio do Departamento de Esportes da Prefeitura de Alpinópolis e imediatamente despertamos a atenção da população e um número grande de inscrições foi realizado já no primeiro dia. Os interessados eram, em sua maioria, crianças. Desde o começo houve total doação de minha parte e da parte de meu esposo (Juliano) e isso se deve a um grande amor ao esporte.

TA: Quais são os principais atletas e títulos já conquistados?

Nilce: Somos uma equipe dedicada e valorizamos todos os nossos atletas, mas obviamente alguns se destacam e merecem relevância pelo talento e dedicação ao karatê. São esportistas de alto nível e as conquistas são muitas. Temos o Dirceu que, entre outros títulos, ganhou o 2º lugar no Brasileiro 2010 na Categoria Adulto; meu filho Juninho de 15 anos, que é faixa marrom, e faturou também uma 2ª colocação no Brasileiro em Paranaguá no ano de 2010 (Categoria 50 kg– 14 e 15 anos), a Karla que na Categoria de 18 a 35 anos, trouxe um fantástico resultado para nossa cidade e para o Brasil: o 1º lugar no Sul-Americano em 2011, e meu filho mais novo, o João Vitor, um faixa azul de apenas 7 anos e que já conseguiu um 1º lugar na seletiva sul-americana. Temos muito orgulho desses nossos atletas que além dessas medalhas citadas, ganharam muitas outras.

Dirceu, Karla e Juninho

 

TA: E você e o Juliano?

Nilce: Eu sou faixa preta atuante na categoria acima de 35 anos e já trouxe para Alpinópolis um 1º lugar na seletiva Sul-Americana. Já o Juliano é o Sensei, ou seja, o mestre instrutor de nossa academia, sendo nosso atleta mais experiente com mais de 15 anos de prática de karatê. Ele já alcançou o patamar de faixa preta 2º DAN e, apesar de haver competido e ganhado títulos nacionais no passado, hoje assume exclusivamente a função de técnico da equipe.

TA: Como é viver do esporte em Alpinópolis? O que mais motiva e o que mais desmotiva?

Nilce: Viver exclusivamente do esporte por aqui é inviável e chego a dizer que é quase impossível. Eu e meu marido temos obviamente outras atividades profissionais e, muitas vezes, temos que tirar o dinheiro delas para colocar na academia e nos atletas. É uma situação muito difícil pois são raros os que estendem a mão para nos ajudar. O que nos motiva é o espírito esportivo, a emoção de competir e, claro, a satisfação de ver jovens buscando um futuro no esporte. O que mais nos desmotiva é a falta de apoio, tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

TA: Como você avalia o cenário esportivo em nosso município?

Nilce: Está em um nível crítico. O problema é que entra gente e sai gente e ninguém entende que investir no esporte é um ótimo negócio. Acho que os políticos ainda não entenderam que não basta apenas colocar pessoas entendidas no Departamento de Esportes, isso não é suficiente, tem também que destinar recursos para o setor, o que não acontece há anos. Ninguém faz milagres com um orçamento ridículo que destina menos de 2% para o esporte, e que ainda tem que ser divido com outras ações de lazer. O esporte continuará em maus lençóis enquanto não houver visão dos políticos alpinopolenses para entender sua importância estratégica.

TA: Quais são as metas para o futuro?

Nilce: Estamos batalhando para poder participar de alguns campeonatos oficiais. Entre eles estão o Campeonato Mineiro da FMK, o Campeonato Brasileiro e, se tivermos atletas bem colocados nesse último, o que é muito provável, almejamos o Sul-Americano. Nossa equipe está bem preparada para participar de todas essas competições e nosso principal adversário é ainda a falta de apoio. Outro objetivo nosso é conseguir um incentivo do governo federal chamado Bolsa Atleta para pelo menos um de nós.

Nilce e o filho João Vítor

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