17 presos da “Operação SOS Canastra” são soltos pela Polícia Federal

No final da tarde da última quinta-feira (21) o delegado federal Felipe Koch Torres Baeta, um dos responsáveis pela “Operação SOS Canastra”, que prendeu mais de 50 pessoas suspeitas de extrair ilegalmente pedras de quartzito na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, determinou a revogação da prisão temporária de 17 destes presos. A referida operação, segundo a Polícia Federal, tem como objetivo desarticular um esquema de extrações irregulares que vinha ocorrendo na região há, pelo menos, 15 anos.

Os envolvidos que receberam o alvará de soltura são, em sua maioria, pessoas que trabalhavam diretamente na atividade de extração da pedra, cuja permanência na prisão não foi considerada como imprescindível para o andamento das investigações policiais. As liberações começaram no início da noite de ontem e se estenderam pela madrugada desta sexta.

Os demais presos, segundo o delegado, vão continuar encarcerados já que as provas obtidas contra eles – através de procedimentos de busca e apreensão – demandarão mais tempo para serem analisadas e avaliadas, em razão, sobretudo, do grande volume que apresentam. Foi ainda esclarecido que a manutenção do acautelamento provisório dos envolvidos restantes é necessária para que seja feita uma averiguação da necessidade de se aplicar, ou não, outras medidas judiciais. Também serão realizadas novas oitivas dos investigados.

Em Alpinópolis depósitos e serrarias foram interditados, alguns caminhões apreendidos e o número de presos passou de 25, segundo informações da Polícia Civil. No geral, a operação prendeu 51 pessoas – 32 prisões temporárias e 19 preventivas – nos municípios de Belo Horizonte, Passos, Itaú de Minas, Carmo do Rio Claro, São João Batista do Glória, Piumhi e Batatais.

Os presos foram encaminhados para o presídio de Passos e ficaram à disposição da Justiça Federal. Todos os suspeitos devem ser indiciados pelos crimes de organização criminosa, extração ilegal de minerais e danos ambientais decorrentes.

Adriano José Gonçalves Rocha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Extração Mineral de Alpinópolis (Sintemar), disse que, em sua visão, o mais prejudicado em toda essa história certamente será o trabalhador pobre, que depende da atividade para sobreviver. Ele afirmou que a ação causou um choque na população alpinopolense e preferiu não fazer previsões sobre o que pode suceder depois deste acontecido. O sindicalista ainda esclareceu que a Polícia Federal não esteve na sede do sindicato que preside, nem mesmo para solicitar informações.

Em Alpinópolis as prisões tem gerado muita polêmica, em função do fato de os envolvidos serem, em sua maioria, pessoas conhecidas na comunidade e não estarem associados a nenhuma ação criminosa anterior, sendo reconhecidos como trabalhadores, geradores de emprego e pais de família. Postagens nas redes sociais mostram opiniões diversas, no entanto, a maior parte, defendendo um tratamento mais digno aos alvos das prisões.

Uma internauta, por exemplo, postou em seu perfil no Facebook, um texto pedindo orações pelas famílias que estão sofrendo com as prisões. Ela diz que o desabafo não faz referência ao mérito da lei ter sido ou não cumprida, mas sim que é uma forma de se solidarizar com mães, pais, esposas e filhos que presenciaram a forma brutal com que a ação foi realizada. Ela termina o post fazendo um apelo aos que, por algum motivo, vem tratando o fato com tom zombeteiro, lembrando que todos tem família e estão sofrendo, já que são seres humanos e merecem respeito.

Nas noites de quinta (21) e sexta (22) foram realizados protestos, organizados por moradores, reunindo dezenas de pessoas em frente à Igreja Matriz, na Praça Osvaldo Américo dos Reis, no centro de Alpinópolis. Estiveram presentes lideranças políticas, familiares e amigos dos envolvidos, assim como apoiadores em geral.

 

Fonte: Folha da Manhã

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